FORMAÇÃO PROJETO LEITURAÇÃO, DIA 18.09.2009 - E.M.E.F. GUSMÃO BRITTO
O PROFESSOR MULTIPLICADOR DE LEITORES
Elaine Maritza da Silveira
Ao ouvir um poema ou história entra-se no universo da língua que não é a de todo dia, mas língua domingueira, cheia de cor, elegância, surpresas, caprichos.”(Marly Amarilho)
Foi explicando a citação acima que a palestrante Elaine Maritza começou a conversa conosco sobre a leitura de textos literários na escola. Abaixo relaciono as ideias que apreendi:
O texto literário é algo diferente da linguagem do dia-a-dia, da linguagem do jornal, etc;
Era uma vez... funciona como um código, lembra coisas especiais, é linguagem literária;
As crianças têm muita facilidade de entrar no campo da fantasia;
A ficção proporciona emoções sem comprometer nossa vida;
POR QUE LER?
O real é pequeno. O real pouco nos explica. O real nos angustia em suas lacunas. É no mais que real que encontramos o equilíbrio, o bem estar. E o mais que real se situa no imaginário.(Marina Colassanti em Fragatas por terras distantes).
O professor precisa se apaixonar pela leitura e acreditar que a leitura utilitária humaniza as pessoas. As pessoas devem se relacionar com outros seres humanos. Quanto mais se lê, mais rica será a leitura.
PORQUE QUEREMOS FORMAR LEITORES?
Nenhuma forma de ler o mundo é tão eficaz e rica quanto a que a literatura- poesia, conto, romance, novela - permite. A troca de experiência de leitura é muito rica. Vamos para a leitura com as nossas experiências. Não se forma leitor para a escola, apesar dela ter se apropriado da literatura, forma-se leitor para a vida.
Sabemos que os alunos lêem para a escola, não para a sua vida. Deveriam saber que ler contribui para o seu crescimento. A escola tem um desafio: tirar a leitura do confinamento.
A leitura literária possibilita o contato com uma linguagem diferente e um aprendizado após um tempo de maturação.
ESCOLA É LUGAR DE LITERATURA?
Certamente. E, talvez, venha a ser o único contato do aluno com o livro, com a possibilidade de conhecer e se transformar num leitor. A escola deve trabalhar para despertar o desejo de ler. Deve indicar leituras e solicitar que os alunos leiam. O papel do professor é mostrar o valor do texto literário, do livro a ser lido e desenvolver critérios para que o aluno seja capaz de escolher suas próprias leituras.
A LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA:
NA EDUCAÇÃO INFANTIL: leitura diária: rodinha, contação de histórias, de forma lúdica, ambiente organizado e descontraído. O professor não precisa justificar o trabalho com a leitura literária.
NAS SÉRIES INICIAIS: momentos de leitura literária mais espaçados, não é mais um momento lúdico e os livros passam a servir para “ensinar conteúdos” do programa de estudos. O professor precisa justificar o tempo dedicado à leitura literária. A literatura perde sua função.
NAS SÉRIES FINAIS: leitura literária “confinada” nas aulas de Língua Portuguesa. A poesia e o conto servem apenas para trabalhar conteúdos gramaticais. Livros fundamentais são trabalhados “aos pedaços”, através de fragmentos apresentados em livros didáticos.
ENSINO MÉDIO: leitura literária apresentada em fragmentos para ensinar os estilos literários, os autores e as características de sua obra. O vestibular é o único motivo que garante a presença do texto literário na sala de aula. Função: não formar leitores, mas ensinar literatura.
FORMAR LEITORES É POSSÍVEL?
Criar condições de leitura não significa apenas levar os alunos à biblioteca, uma vez por semana, ou fazer uma indicação de livro por trimestre. Deve-se criar uma atmosfera agradável, um ambiente que convide a ler na própria sala de aula ou fora dela e destinar tempo para a leitura literária, pois é atividade importante, fundamental, e que merece ocupar um espaço nobre nas aulas e na escola.
A formação de leitores de literatura não deve ser tarefa exclusiva do professor de Língua Portuguesa, mas compromisso de todos os educadores. Os professores devem fazer “marketing” dos livros importantes e daqueles que ele gostou de ler.
A leitura com o objetivo de formar leitores não pode ser um trabalho esporádico, deve ter continuidade. Os resultados aparecem gradativamente. O professor deve mostrar-se um apaixonado pelo livro e ter um lugar importante em sua vida para a leitura.
Leitor formado é para sempre!