segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FRASE, PERÍODO, ORAÇÃO, SABERES E PRÁTICAS

No encontro do dia 26.11.2009,  nossa professora formadora Luciane iniciou o encontro passando o vídeo Assalto linguístico. Uma peça teatral bem interessante e divertida  sobre os deslizes que cometemos ao fazer uso da linguagem oral. Muito interessante.
Seguindo, comentamos a leitura do texto  “Nem todo uso de língua tem que pautar pela norma culta” – de Irandé Antunes. É um texto muito interessante que fala sobre o fenômeno da variação linguística e faz parte do livro “Muito além da gramática” , da mesma autora.Luciane também nos apresentou a “Gramática de Usos do Português” de Maria Helena de Moura Neves.

A partir do TP2 comentamos sobre o que é a frase, o período e a oração.
Frase é uma unidades do texto: caracteriza-se por apresentar, no contexto em que aparece, uma unidade de sentido. (TP2 pág. 51)
A frase pode ou não ser organizada em torno de um ou mais verbos. A frase que não apresenta verbo chama-se frase nominal.
A frase organizada em torno de um verbo chama-se período. O período pode ser simples, quando apresenta apenas uma oração , ou composto quando apresenta mais de uma oração. As oração, portanto, pode ser apenas uma parte do período e, nesse caso, não apresenta a unidade de sentido.
Cada informação em torno de um verbo cria uma oração. A oração que é única no período chama-se absoluta. (TP2 pág. 57)

Após, houve troca de experiências sobre como trabalhamos a gramática e muitas sugestões foram dadas. Foi um momento muito rico e importante para nossa prática.

domingo, 22 de novembro de 2009

ENCONTRO DIA 19.11.2009

 ARTE: FORMAS E FUNÇÕES


Gostaria muito de ser aquela pessoa que procura sempre entrar em contato com obras artísticas. Mesmo sendo admiradora, não possuo uma percepção muito aguçada. Às vezes, não temos clareza quanto ao poder da arte, num mundo marcado pela concorrência e pela luta no mercado de trabalho, cada vez mais ávido de informações. Nesse quadro cultural, que papel cabe à arte e, mais especialmente, à literatura, a arte da palavra?(CUNHA- Tp2, p.75)
Conforme nosso TP2, a arte é uma forma de conhecimento que está muito relacionado com o nosso cotidiano. As principais características da arte são a fantasia, a interpretação da realidade, a conotação e a paixão pela forma. Por intermédio da fantasia e do jogo a arte é um convite à (re) interpretação do mundo. Ao expressar-se, o artista convida o leitor a desvendar o mundo.
Para aprofundar, na prática, tais ideias contamos com a presença da colega profª Nara Locatelli, que fala com propriedade sobre Arte. Ela nos proporcionou um momento diferente e interessante. Propôs uma dinâmica bem interessante, que reproduzo abaixo:

Em uma mesa a parte misturar as tintas criando cores inusitadas (uma nova cor por participante, em quantidade que, imagine-se, seja suficiente para pintar todo o espaço de uma das folhas do papel canson);
Cada participante ficará em frente a uma das folhas do papel canson, com sua tinta em uma das mãos e um pincel em outra;
Ao sinal do orientador da oficina, cada participante começa a pintar livremente no papel a sua frente,;
Haverá uma palavra de ordem que poderá ser “trocou”, ao sinal da qual cada participante sempre segurando sua tinta e seu pincel, se dirigira para a esquerda e reiniciará sua pintura no próximo papel, tomando-se o cuidado de não pintar por cima da interferência já feita pelo outro participante e circulando assim várias vezes por cada papel até que a folha toda receba uma camada de tinta através das pinceladas.
É importante que não fique aparecendo papel, pois está sendo executada uma atividade específica de tinta sobre papel e neste caso sempre deverá ter-se o efeito de tinta no acabamento do trabalho;
A identificação deverá ser executada após a tinta seca e de maneira discreta, preferencialmente usando tons que já estejam presentes no trabalho.


Através desta atividade trabalha-se:
Disciplina, organização, respeito, orientação espacial, coordenação motora fina e grossa, linhas, cores, luz e sombra, criatividade, produtividade, participação, aceitação, integração, contextualização de saberes culturais diversos, motivação de pesquisa da vida e obra de artistas, auto-avaliação.

Após, conversamos um pouco sobre este importante momento. Nara nos indicou algumas obras esclarecedoras sobre a arte. Foi um ótimo momento, bem proveitoso.
Tiramos fotos para a posteridade. Esta é a nossa turma do Gestar II, de Língua Portuguesa/2009 – Encontro de quinta-feira à tarde.


Finalmente, fizemos combinações e a profª Luciane nos entregou um texto para leitura –“Nem todo uso da língua tem que se pautar pela norma culta” – de Irandé Antunes. Leremos em casa, discussão na próxima semana.

O DIA D: AUTOR CAIO RITER NA NOSSA ESCOLA!!!!!

 "O PRIMEIRO A GENTE NUNCA ESQUECE"
     

Caio Riter aguardando...

Hoje, dia 12.11.09, não compareci ao encontro do GESTAR II, por um motivo muito especial: o autor Caio Riter visitou a nossa escola, por mais ou menos uma hora. Começamos a organizar a escola já pela manhã. Os alunos auxiliaram na organização. As turmas que trabalharam com as obras deste autor expuseram alguns trabalhos. Abaixo algumas fotos deste momento.


                    


Alunas auxiliando na organização do espaço e "Debaixo de mau tempo" em maquete(5S1)



 Cenas pintadas "Debaixo de mau tempo"(5S2) e "Eduarda na Barriga do Dragão"(3A1)

Às 13h30min, Caio Riter, Sandra e Lucrécia chegaram em nossa escola. Eles foram recepcionados pela nossa diretora Sônia. Apresentei-me. Dei-lhe as boas vindas e entreguei-lhe algumas perguntas, previamente preparadas pelas turmas, curiosidades sobre o autor e suas obras.

Após, organizarmos as crianças no saguão nossa supervisora Suzete conduziu ao autor até nós. As crianças o recepcionaram encantadas e com palmas. Eu, Clarice, o apresentei a todos e expliquei-lhe sobre os trabalhos, a partir de seus livros, na escola. Então passei a palavra para o autor, que foi muito simpático, divertido e atencioso com nossos alunos. Falou sobre sua vida(curiosidade de todos nós) e respondeu as nossas perguntas.




Caio chegando e encantando as crianças com suas histórias.




O tempo já estava esgotado quando Caio Riter começou a autografar alguns de seus livros para nossa biblioteca. Os livros foram trazidos ao autor por nossos alunos.
Depois, ele apreciou nossos painéis e trabalhos, tirou algumas fotos e foi-se.




Caio Riter, nossa diretora Sônia(esquerda dele), nossa supervisora Suzete e eu, Profa. Clarice e com duas alunas da 5S2, Diennifer e Patrícia.


Caio foi-se, mas nunca será esquecido, pois como ele mesmo salientou “o primeiro a gente nunca esquece”. Caio Riter foi o primeiro autor a visitar a nossa escola e, espero, seja apenas o pioneiro.





segunda-feira, 9 de novembro de 2009

VARIANTES LINGUÍSTICA DA LÍNGUA

Encontro do dia 05.11.09 Neste encontro, lemos a crônica de Moacyr Scliar “Vai para a Feira do Livro”(ZH,3.11.2009) e conversamos sobre a questão da pontuação nesta frase. Qual o sentido e a possibilidade se no final desta frase fosse usado (! ? ...). Bem interessante. Se tiver a oportunidade não deixe de ler. Depois conversamos sobre a diferença entre ponto de vista e foco narrativo. Eu conceituei assim:
Antes de ler o texto FOCO NARRATIVO E O PONTO DE VISTA – NO TEXTO NARRATIVO LITERÁRIO – de José Fernandes da Silva selecionados, pensava que o foco narrativo tinha a ver com a pessoa gramatical, com a posição do narrador enquanto contava a história. Portanto, o foco narrativo pode acontecer na 1ª pessoa ou na 3ª pessoa. E um narrador pode mudar de foco narrativo no texto. Já o ponto de vista, no meu entender, tem a ver com o enfoque, a opinião do personagem/narrador sobre um determinado fato, é a narração acontecendo através “dos olhos” do personagem ou narrador. O texto selecionado fala que “o foco narrativo é utilizado para designar o ato executado pela voz do narrador, no sentido de tornar perceptível o que acontece. O ponto de vista não designa a mesma coisa, mas a perspectiva de visão a partir da qual é focalizado o que acontece”.

Penso que a diferença é muito sutil. E, mesmo depois da leitura, não mudei a minha forma de pensar, pois entendi que estou no caminho certo. A profe. Luciane nos mostrou o filme VIDA MARIA e falamos sobre o que poderíamos trabalhar a partir deste filme: os simbolismos(janela, caderno), o trabalho, o tempo, o sertão, a repetição da história através das gerações, a mágoa, a água, as questões sócio-cultural, a trilha sonora, trabalho infantil, etc. Sabe-se que a língua apresenta variações, conforme os grupos que a usem. Há os dialetos, que são as regularidades, os recursos normais que cada uma das variantes da língua usada por determinado grupo apresentam. Os principais DIALETOS são etário(da criança, do jovem e do adulto) regional ou geográfico sociocultural ( culto e popular) gênero(masculino e feminino) profissional Nenhum dialeto é melhor do que outro. Cada um cumpre suas funções comunicativas. Cada uso individual e momentâneo da língua constitui o que chamamos de REGISTRO. É a variante escolhida por cada sujeito em cada ato específico de comunicação, segundo o contexto. Os registros são basicamente dois: informal formal Os registros podem apresentar-se tanto na forma oral como na forma escrita da língua. NA LÍNGUA FALADA: ORATÓRIO( elaborado, intrincado, enfeitado.Apropriado para situações muito formais. Usado por advogados, oradores religiosos,políticos. Na nossa literatura, um exemplo: Os sermões de Padre Antônio Vieira) FORMAL(DEBILIBERATIVO)(vocabulário mais rico;usada quando se fala a grupos grandes ou médios. Conferências científicas são exemplos desse nível de formalidade) COLOQUIAL( aparece no diálogo entre duas pessoas, apresenta construções gramaticais soltas, frases curtas e simples; palavras de uso mais frequente) COLOQUIAL DISTENSO( indica relacionamento próprio de um grupo fechado; uso frequente de gíria; não apresenta cuidado com a pronúncia. Exemplo: conversa entre amigos, colegas de trabalho) FAMILIAR(particular, pessoal, usado na vida privada. Há muitos elementos da linguagem afetiva com função emotiva) NA LÍNGUA ESCRITA: HIPERFORMAL(o equivalente escrito do oratório. O soneto, seria um exemplo. Alguns autores como Machado de Assis e José de Alencar apresentam este nível de formalismo) FORMAL( características semelhantes ao deliberativo.; linguagem na variedade culta e padrão, no estilo escrito. Jornais, revistas bem elaboradas e correspondências oficiais se enquadram nesse nível) SEMIFORMAL( corresponde na escrita ao coloquial, com um pouco mais de formalidade. Cartas comerciais e de recomendação, declarações, relatórios e projetos são exemplos) INFORMAL(correspondência entre membros de uma família ou amigos íntimos; uso de formas abreviadas, ortografia simplificada, construções simples, sentenças fragmentadas) PESSOAL(são asnotas para o nosso uso próprio: o recado anotado ao telefone, um bilhete para alguém de casa, lista de compras, etc) O registro coloquial é o centro do sistema linguístico e seu uso nas atividades de ensino/aprendizagem da língua materna é de grande importância. A seguir, assistimos ao filme “LÍNGUA – VIDAS EM PORTUGUES” de Victor Lopes, com relatos sobre a língua com pessoas de GOA, MOÇAMBIQUE, PORTUGAL E BRASIL e observamos a tipologia dos registros em seus discursos. Como tarefa recebemos um questionário sobre a Unidade 1- Variantes Linguísticas: dialetos e registros - que responderemos e traremos para a próxima aula para discutirmos.

O PONTO DE VISTA

ENCONTRO DO DIA 29.10.09 Neste encontro a profe. Luciane começou questionando o que nos lembrava o número 666. Algumas respostas surgiram: é o número da besta e alguns comentários sobre isso foram feitos. A colega Simoni lembrou do poema de Mário Quintana “ Seiscentos e sessenta e seis”. Então fomos lê-lo. Disponibilizo-o: A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo... Quando se vê, já é 6ª feira... Quando se vê, passaram 60 anos... Agora, é tarde demais para ser reprovado... E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre, sempre em frente... E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútl das horas. Lindo não??? Mas como, no nosso tempo, deixar o tempo de lado? Seguindo, a profe. Luciana solicitou que escrevêssemos o que faríamos no tempo que uma semana tem. Eu preferi que este tempo fosse assim: Viajaria para a serra com meus filhos, passearia muito, faria compras, iria ao cinema. Ao voltar arrumaria os meus armários, dispensando o dispensável para recomeçar tudo novamente. E você o que faria? Veja abaixo uma propaganda da revista “Época”, criada pela agência W/Brasil, na qual o publicitário imagina o ponto de vista que vários seres teriam sobre o significado de uma semana: Para o preso, menos 7 dias Para um doente, mais 7 dias Para os felizes, 7 motivos Para os tristes 7 remédios Para os ricos, 7 jantares Para os pobres, 7 fomes Para a esperança, 7 novas manhãs Para a insônia, 7 longas noites Para os sozinhos, 7 chances Para os ausente, 7 culpas Para um cachorro, 49 dias Para uma mosca, 7 gerações Para os empresários, 25% do mês Para os economistas, 0,019 do ano Para o pessimista, 7 riscos Para o otimista, 7 oportunidades Para a Terra, 7 voltas Para o pescador, 7 partidas Para cumprir o prazo, pouco Para criar o mundo, o suficiente Para uma gripe, a cura Para uma rosa, a morte Para a História, nada Para a Época, tudo. (AAA1 – Aluno, p.118) É, tudo depende do ponto de vista. Então assistimos ao filme: PONTO DE VISTA. É bem interessante. Vale a pena assistir. É um filme em que cada personagem apresenta o fato ocorrido(o assassinato do presidente dos EUA) sob a sua visão, sob o seu ponto de vista. Depois, conversamos sobre cada ponto de vista. Conforme nosso TP1 o ponto de vista é definido por um olhar peculiar. É o lugar ou o ângulo de onde cada interlocutor participa do processo de interação. Ele não revela simplesmente as posições do locutor: pode ser usado para criar posições e emoções no interlocutor. O ponto de vista tem dois sentido: um concreto e um abstrato. No sentido concreto, ele indica o lugar real, físico, de onde você vê alguma coisa, que também ocupa um lugar. Já no sentido abstrato, a visão que você tem de qualquer pessoa ou acontecimento, em decorrência de sua história, de suas experiências ao longo da vida, de seus valores, pode ser totalmente diferente da de outra pessoa, que tem forçosamente outra história.(pgs.145,146 e 152). Neste dia tivemos tema: Ler alguns textos para conceituar e diferenciar ponto de vista e foco narrativo.

A ARGUMENTAÇÃO E A INTERTEXTUALIDADE

ENCONTRO DO DIA 22.10.09
A Intertextualidade(o diálogo entre os textos, que podem atravessar gerações. É a presença de outras vozes em um texto produzido) Os processos pelos quais ocorrem intertextualidade são:
  • alusão(aproveitamento de um dado de um determinado texto, sem maiores explicitações. A alusão não indica a fonte, é um dado mais vago, portanto, o conhecimento do interlocutor é fundamental para percebê-la) .
  • referência(lembrança de uma passagem ou de um personagem de um texto)
  • epígrafe(texto curto transcrito no início de outro texto, para indicar que o pensamento desenvolvido neste último tem a ver com o outro, justifica-se a a partir do outro.
  • citação( apresenta um trecho, um dado da obra. O segundo texto procura deixar claro o texto original. Usada sempre que queremos comprovar ou reprovar determinada ideia)
  • pastiche( aproveita ou os recursos, o clima ou determinados recursos de outra obra.. são exemplos de pastiche o humor-pastelão de “Os Trapalhões”, “Os Três Patetas” e “O Gordo e o Magro, que são comédias de ação e riso fácil)
  • paródia(neste processo, o texto original perde sua ideia básica, seu fio condutor. A narrativa é invertida ou subvertida. Frequentemente, a paródia é crítica e questionadora)
  • paráfrase(retomada de um texto sem mudar o seu fio condutor, a sua lógica. A ideia original é conservada) Após conversarmos sobre os processos intertextuais, assistimos a alguns vídeos breves (A corrida dos espermatozóides e Vida Maria) em que analisamos as possibilidades de intertextualidade e os argumentos neles observados. Estudamos um pouco sobre a intertextualidade: diálogo entre textos(pág.98-99- AAA1 – Versão do Aluno) através dos textos “Terezinha de Jesus”- Veríssimo de Melo ( a cantiga de roda, lembra?) e da letra de música, composta por Chico Buarque, cujo título e “Terezinha”. Também assistimos ao episódio dos trapalhões que é uma paródia desta música de Chico Buarque. E por falar em paródia, na página 104 do AAA1(aluno), Guilherme Mansur, poeta entre outras habilidades, você encontra o texto “Branca de Neve”. É um exemplo divertido de paródia. No final de nosso encontro, a profe Luciane, apresentou outros textos como “A Verdade” e, no Power Point, um texto sobre a Argumentação.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

OFICINA!!! ROTEIRO DE LEITURA

Roteiro de Leitura: uma proposta para sistematizar trabalho com a leitura literária na escola Elaine Maritza.- Oficina realizada em 08.10.2009, na EscLista com marcadoresola Gusmão Algumas ideias importantes: Para formar leitores é necessário:

  • Criar ambiente leitor: mostrar que os livros são importantes.
  • Elaborar projeto de leitura.
  • Incluir-se nos projetos realizando as leituras e as atividades junto com os alunos.
  • Propor atividade lúdicas sempre, não importa a série ou a idade dos alunos;
  • O professor deve usar a biblioteca como leitor. O aluno deve perceber que o professor é leitor, além de ser professor. Ele é exemplo.
  • É importante ligar a leitura literária ao prazer.
  • Promover a troca de experiência de leitura, estimular a criação literária/ artística a partir das leituras, promover a participação da comunidade na leitura. O ROTEIRO DE LEITURA AUXILIANDO NA FORMAÇÃO DE LEITORES O roteiro é uma forma de organizar o trabalho com o livro e de demonstrar aos alunos que todas as atividades propostas foram planejadas, pensadas e organizadas. É importante que o professor tenha alguma forma de registrar o seu trabalho. Registro é muito importante. O roteiro é uma forma de registro. O roteiro valoriza a indicação do livro. UMA PROPOSTA DE ROTEIRO MOTIVAÇÃO: Momento de despertar o desejo de ler. Propor atividade que motive o aluno para a leitura e conduzam para o livro. Ele precisa “querer” ler o livro. LEITURA; pode ser compartilhada, individual... mas é fundamental que o professor se inclua, mesmo depois de ter lido o livro. EXPLORAÇÃO DO TEXTO: O professor pensa nas possibilidades que o texto tem, deve propor atividades que enriqueçam e aprofundem a leitura dos alunos. EXTRAPOLAÇÃO: Após a leitura e a realização das atividades de exploração do texto, o professor propõe atividade(s) em que o leitor torna-se autor. É o momento da produção do aluno. Ele escreve. APROVEITEM A DICA!!!! Ela é simples e dá certo.

AVALIAÇÃO DO GESTAR II Penso que um bom professor deve estar sempre em formação, pois em todos os momentos somos seres aprendentes e novas circunstâncias e desafios nos cercam constantemente. Este é o segundo ano em que leciono Língua Portuguesa e muitas dúvidas me cercam. Apesar da boa faculdade, a prática é muito diferente e desafiadora. É através do estudo que adquirimos conhecimento, mas é através da prática que aprendemos realmente. E o GESTAR II está sendo assim: um bom momento de aprendizagem. Aprendizagens boas, gostosas, prazerosas. O material do curso, nossos Cadernos de Teoria e Prática, são de ótima qualidade e apresentam textos para estudos, atividades interessantes e alargam ainda nossos horizontes, pois trazem sugestões de filmes, de outras leituras, de obras literárias, de obras de artes, de teatros etc, que tornam o trabalho mais efetivo e eficiente. Nossos encontros são sempre momentos de aprendizagem. Nossa professora formadora, Luciane Hoefel, está sempre organizada e com a pauta do dia planejada. Ela sempre nos deixa muito à vontade, é nossa colega. Ensina-nos, mas também aprende conosco. Suas aulas são sempre criativas. Luciane não se prende apenas nos Tps. Apresenta-nos outras leituras, traz vídeos, enfim, ela diversifica bastante nossa tarde. E elas são totalmente proveitosas. Além disso tudo, ainda acompanha nossos blogs, incentiva-nos sempre com elogios e está sempre conectada conosco, através de nossos emails, lembrando-nos dos encontros, das nossas combinações, enviando-nos leituras, falando sobre nosso projeto de leitura. Haja fôlego! Nosso grupo é formado por colegas interessadas. Todas buscam a formação adequada para auxiliar na construção do conhecimento do nosso aluno, no desenvolver das competências e habilidades que eles têm, mas que podem ainda aperfeiçoar. Todos são participativos e cada um, do seu jeitinho, vai trocando, opinando, aprendendo. E, ainda, quero deixar registrado que foi devido a intervenção da professora Luciane e também por conta de nossa participação no Gestar II que fomos contempladas, Eudair e eu, no Leituração e, pela primeira vez teremos um autor presente nas nossas escolas. Agradecemos por isso. Para mim, estes são momentos preciosos de aprendizagem e eu me sinto muito bem.

Texto Argumentativo

ENCONTRO DO DIA 15.10.2009: O TEXTO ARGUMENTATIVO Neste encontro teve presente: a profe. Luciane, gentilmente, nos presenteou com uma linda caneta para marcar textos. E com um lanchinho maravilhoso. Fofa ela! É o dia do professor e iniciamos o trabalha assistindo a uma apresentação de slides sobre o ato de EDUCAR - texto de Rubem Alves. Muito legal e com imagens lindas. Neste texto é evidente que o autor idolatra o professor e enfoca o lado da criança. E trouxe uma ideia que foi marcante para mim: APRENDEMOS PALAVRAS PARA MELHORAR OS OLHOS. Precisamos educar o nosso olhar para aprender a ver o que não está visível ou enxergar o que é visível ,mas com um olhar diferente, que pode fazer a diferença. Seguindo, lemos a crônica de Moacyr Scliar – Dia do Professor- Zero Hora, 13.10.2009.- Neste texto Scliar exalta o professor e escreve em defesa dele. Conversamos sobre os dois textos – as ideias do Rubens e do Scliar. Seguindo, passamos ao estudo do TP6(p. 15 até 50) em que pudemos observar a construção da argumentação nos textos publicitários, nas tirinhas de humor. Luciane nos propôs a leitura de algumas propagandas de revistas para identificarmos os argumentos utilizados para a persuasão do leitor. O TP informa alguns conceitos como: Tese: ideia principal para a qual um texto pretende a adesão do leitor/ouvinte: é o objetivo de convencimento do leitor/ouvinte. Argumentos: são os motivos, as razões utilizadas para convencer o leitor da validade da tese. Existem uma variedade de argumentos, que são:
Argumentos baseados no senso comum, ou no consenso, são verdades aceitas culturalmente, sem necessidade de comprovação. Argumentos baseados em provas concretas trazem para o texto informações que resultam de pesquisa, estatística e similares. Argumentação por ilustração mostra uma situação genérica e apresenta, como comprovação, uma singularização dessa situação. Argumentação por exemplo usa um exemplo ou um caso específico, para, em seguida, generalizar e extrair uma conclusão geral. Argumento de autoridade recorre a fontes de informação renomadas, como autores, livros, revistas especializadas, para demonstrar a veracidade da tese. Argumento por raciocínio lógico são argumentos que resultam de relações lógicas. Os mais comuns são os de causa e consequência e os de condição.(p.40 TP6). Após este estudo iniciou-se uma conversa sobre o trabalho com a gramática textual: como trabalhá-la de forma lúdica, prazerosa? Como fazer o aluno se interessar e aprender? Os professores precisam melhorar a prática para que os alunos aprendam e saiam-se bem nas seleções para o ensino médio. Ficamos de marcar um encontro para discutirmos mais sobre esse assunto e para trocarmos experiências. E no próximo encontro continuaremos falando sobre a argumentação.

RELATANDO UMA EXPERIÊNCIA

RELATÓRIO DE APLICAÇÃO DA AULA 8 – O ENLACE DE IDEIAS – UNIDADE 19 – COESÃO TEXTUAL Apliquei a atividade na 7S1. Para iniciar, escrevi na lousa a atividade da página 71 – PARTE A – AAA5 – Versão do aluno. Os alunos copiaram, curiosos. Solicitei que respondessem de forma simples e objetiva. Assim o fizeram. Após certificar-me de que todos haviam respondido, pedi que alguém lesse as suas respostas. Mais três alunos pediram para ler também. Ouvimos. Seguindo, pedi que acompanhassem a minha leitura(leitura dos itens da PARTE B) observando suas respostas conforme a numeração. Acharam engraçado. Então, passei os itens da parte B(página 72 – AAA5 – Versão aluno) no quadro e eles copiaram no caderno. Dei um tempo da aula para que lessem suas respostas um para o outro. Foi um momento divertido. Passada a motivação, lancei a proposta da produção textual: deveriam escrever a história do “Enlace Matrimonial” relacionando cada resposta dada na parte A com os itens da parte B . Poderiam usar a expressão sugerida como título ou poderiam escolher outro que lhes parecesse mais oportuno. Quando os alunos julgaram que estavam prontos mostravam-me e eu realizava uma leitura ajudando-os em algumas situações. Depois, passaram a limpo. Questionei se haviam gostado de produzir um texto engraçado a partir de algumas questões simples. Eles acharam interessante e alegaram que puderam usar a criatividade. Agora, observarei mais detalhadamente os textos no que diz respeito aos elementos coesivos utilizados pelos alunos. Pretendo, ao entregar o texto a eles, realizar um trabalho de observação coletiva (talvez escolha excertos dos textos deles para analisarmos os elementos coesivos e sua função) para identificarmos as palavras que permitem a coesão textual.

REVISÃO... REESCRITA TEXTUAL

Neste dia conversamos sobre a possibilidade de nossos encontros acontecerem nas quintas-feiras e não aos sábados devido à necessidade de recuperação das aulas. Luciane nos solicitou uma avaliação dos nossos encontros que poderia ser escrita ou oral. Eu me prontifiquei e a farei para o dia 15.10. No próximo instante realizamos as apresentações dos trabalhos que aplicamos com nossos alunos sobre Coesão Textual. Eu apliquei a atividade 8 da Unidade 19 da página 71 do AAA5 – Versão do Aluno. O relatório posto a seguir. Passamos, então, ao TP6 – lemos o texto “Os indígenas: testemunhos da mãe terra” - de Leonardo Boff – e as informações sobre este. Tratamos, a partir desta leitura, sobre a questão da revisão e conversamos sobre o retorno que os professores costumam dar aos alunos sobre suas produções textuais. E, assim, lemos as páginas 129 e 130 do TP6. Aprendemos mais sobre a questão da reescrita de textos na escola com a leitura e levantamento das ideias relevantes do texto O significado da reescrita de textos na escola: a (re)construção do sujeito-autor - de Elizabeth Dias da Costa Wallace Menegolo e Leandro Wallace Menegolo. A seguir Luciane nos entregou uma planilha, baseada nos estudos de Eva Groupe e de Ana Dilma de Almeida Pereira sobre como avaliar as produções textuais observando o texto em seu conjunto (situação, tipo de escrita, efeito almejado, relevância da informação, tipo de texto, vocabulário, modo de organização, sistema e valores dos tempos verbais,suporte, tipografia, organização da página),as relações entre as frases(função de orientação do leitor, coerência temática, coerência semântica, articulação entre as frases, coesão sintática e temporal, concordância dos tempos e dos modos, a segmentação pertinente e a pontuação) e a construções frasais(marcas de enunciação, o léxico, a sintaxe das frases, a morfologia verbal, a ortografia, pontuação e o uso das maiúsculas) sob os pontos de vista pragmático, semântico, morfossintático e aspectos materiais. Também nos disponibilizou uma sugestão de revisão de textos. Nossa colega Claudia Coradim também fez um relato de sua prática sobre como trabalha com a correção dos textos de seus alunos e nos disponibilizou uma amostra das orientações que usa. E foi isso... Bem proveitoso!

ESTOU DE VOLTA!!!!

Depois de algum tempo sem alimentar este blog(por problemas de força maior) estou de volta! Postarei a seguir leituras bem interessantes! Vamos lá?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

SOBRE COESÃO TEXTUAL - encontro 24.09.2009

Neste dia trabalhamos sobre COESÃO TEXTUAL. Para que um texto seja um bom texto precisa apresentar coerência e coesão. Apesar de serem fatores de textualidade bem diferentes, coerência e coesão se imbricam. Exemplificando, a grosso modo, coerência seria uma parede de tijolos e a coesão, o cimento que interliga os tijolos e dá a consistência para a parede. Lemos as ideias sobre coesão textual no TP5, pág.166,167- AMPLIANDO NOSSAS REFERÊNCIAS – e trabalhamos as questões referentes ao texto. Para observar as cadeias coesivas que tecem um texto trabalhamos com um trecho adaptado de artigo publicado pela revista ISTO É, de 10 de setembro de 2003, sobre uma das mais intrigantes formas de vida do nosso planeta: o bicho-da-seda.(P. 143 TP5). Também trabalhamos com as questões referentes ao texto para analisarmos os mecanismos de coesão nele empregados. Os elementos coesivos de um texto podem se apresentar

  • por elipse;
  • pode retomar termos utilizados;
  • repetição de termos;

Elementos morfológicos que fazem coesão:

  • preposição;
  • advérbio;
  • conjunção;
  • locução;
  • pronome.

Seguindo a profe. Luciane apresentou-nos um vídeo com o sucesso dos Tribalistas( Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Margareth Menezes e Carlinhos Brown), a canção Passe em casa, cuja letra está disponível no TP5, nas págs. 156 e 157. Nesta canção podemos notar o uso da reiteração(repetição) de forma criativa. Muito legal! A profe. também apresentou alguns slides bem interessantes, com textos humorísticos, porém com cunho pedagógico, em que podemos relacionar a coerência, o estilo e a coesão. Iniciamos, porém, não avançamos muito a apreciação do texto O tratamento do “erro” nas produções textuais: a revisão e a reescritura como parte do processo de avaliação formativa – de Ana Dilma de Almeida Pereira. Deveremos adiantar a leitura para o próximo encontro. Como tema de casa: Analisar as atividades propostas na unidade 19: COESÃO TEXTUAL e escolher uma para aplicar com nossos alunos. E foi isso. Bem proveitoso!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

PALESTRA DE ELAINE MARITZA

FORMAÇÃO PROJETO LEITURAÇÃO, DIA 18.09.2009 - E.M.E.F. GUSMÃO BRITTO O PROFESSOR MULTIPLICADOR DE LEITORES Elaine Maritza da Silveira Ao ouvir um poema ou história entra-se no universo da língua que não é a de todo dia, mas língua domingueira, cheia de cor, elegância, surpresas, caprichos.”(Marly Amarilho) Foi explicando a citação acima que a palestrante Elaine Maritza começou a conversa conosco sobre a leitura de textos literários na escola. Abaixo relaciono as ideias que apreendi: O texto literário é algo diferente da linguagem do dia-a-dia, da linguagem do jornal, etc; Era uma vez... funciona como um código, lembra coisas especiais, é linguagem literária; As crianças têm muita facilidade de entrar no campo da fantasia; A ficção proporciona emoções sem comprometer nossa vida; POR QUE LER? O real é pequeno. O real pouco nos explica. O real nos angustia em suas lacunas. É no mais que real que encontramos o equilíbrio, o bem estar. E o mais que real se situa no imaginário.(Marina Colassanti em Fragatas por terras distantes). O professor precisa se apaixonar pela leitura e acreditar que a leitura utilitária humaniza as pessoas. As pessoas devem se relacionar com outros seres humanos. Quanto mais se lê, mais rica será a leitura. PORQUE QUEREMOS FORMAR LEITORES? Nenhuma forma de ler o mundo é tão eficaz e rica quanto a que a literatura- poesia, conto, romance, novela - permite. A troca de experiência de leitura é muito rica. Vamos para a leitura com as nossas experiências. Não se forma leitor para a escola, apesar dela ter se apropriado da literatura, forma-se leitor para a vida. Sabemos que os alunos lêem para a escola, não para a sua vida. Deveriam saber que ler contribui para o seu crescimento. A escola tem um desafio: tirar a leitura do confinamento. A leitura literária possibilita o contato com uma linguagem diferente e um aprendizado após um tempo de maturação. ESCOLA É LUGAR DE LITERATURA? Certamente. E, talvez, venha a ser o único contato do aluno com o livro, com a possibilidade de conhecer e se transformar num leitor. A escola deve trabalhar para despertar o desejo de ler. Deve indicar leituras e solicitar que os alunos leiam. O papel do professor é mostrar o valor do texto literário, do livro a ser lido e desenvolver critérios para que o aluno seja capaz de escolher suas próprias leituras. A LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA: NA EDUCAÇÃO INFANTIL: leitura diária: rodinha, contação de histórias, de forma lúdica, ambiente organizado e descontraído. O professor não precisa justificar o trabalho com a leitura literária. NAS SÉRIES INICIAIS: momentos de leitura literária mais espaçados, não é mais um momento lúdico e os livros passam a servir para “ensinar conteúdos” do programa de estudos. O professor precisa justificar o tempo dedicado à leitura literária. A literatura perde sua função. NAS SÉRIES FINAIS: leitura literária “confinada” nas aulas de Língua Portuguesa. A poesia e o conto servem apenas para trabalhar conteúdos gramaticais. Livros fundamentais são trabalhados “aos pedaços”, através de fragmentos apresentados em livros didáticos. ENSINO MÉDIO: leitura literária apresentada em fragmentos para ensinar os estilos literários, os autores e as características de sua obra. O vestibular é o único motivo que garante a presença do texto literário na sala de aula. Função: não formar leitores, mas ensinar literatura. FORMAR LEITORES É POSSÍVEL? Criar condições de leitura não significa apenas levar os alunos à biblioteca, uma vez por semana, ou fazer uma indicação de livro por trimestre. Deve-se criar uma atmosfera agradável, um ambiente que convide a ler na própria sala de aula ou fora dela e destinar tempo para a leitura literária, pois é atividade importante, fundamental, e que merece ocupar um espaço nobre nas aulas e na escola. A formação de leitores de literatura não deve ser tarefa exclusiva do professor de Língua Portuguesa, mas compromisso de todos os educadores. Os professores devem fazer “marketing” dos livros importantes e daqueles que ele gostou de ler. A leitura com o objetivo de formar leitores não pode ser um trabalho esporádico, deve ter continuidade. Os resultados aparecem gradativamente. O professor deve mostrar-se um apaixonado pelo livro e ter um lugar importante em sua vida para a leitura. Leitor formado é para sempre!

Encontro 17.09.2009 - Coerência Textual e Estilo

Neste encontro trabalhamos sobre Coerência e Estilo. O momento começou com a apresentação do texto abaixo, cuja segunda parte estava oculta. Ao lermos a primeira parte claro que não notamos coerência, mas quando a professora desvendou a última frase, entendemos tudo!Veja: Subi a porta e fechei a escada. Tirei minhas orações e recitei meus sapatos. Desliguei a cama e deitei-me na luz. Tudo porque ele me deu um beijo de boa noite. (Autor desconhecido) Após, começamos a conversar sobre COERÊNCIA. A profe. Luciane apresentou-nos em slides um resumo sobre Coerência(TP5). Eis algumas ideias: No texto coerente, não há nenhuma parte que não se relacione com as demais. Para que haja coerencia dois sujeitos são importantes: aquele que escreve e aquele que lê. “Coerência é a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relação de significado que mantém entre si. As várias figuras que ocorrem num texto devem articular-se de maneira coerente para constituir um único bloco temático”.(Não lembro o autor dessa premissa.) É pela coerência textual que se faz, se percebe a diferença entre meras palavras e texto. Depois dessa apresentação e discussão das ideias, passamos a avaliar alguns textos de nossos alunos. Fiquei feliz em perceber que quase totalidade de meus alunos(5S1) estão trabalhando bem a questão da coerência textual. Seguindo, continuamos a ler o TP5 – UNIDADE 17 – p.13-43 -Estilística. As ideias básicas são: Estilística refere-se ao estilo, a maneira de usar a língua para efeitos de sentido. O estilo portanto diz respeito ao modo como o falante constrói sua fala. A língua apresenta variações, conforme os grupos que a usam. Cada uma das variantes da língua usada por um grupo, com suas regularidades e recursos constituem o DIALETO. (etário, regional, gênero, social, profissional). Já o IDIOLETO é o conjunto de marcas pessoais de cada indivíduo, é a forma única que cada pessoa tem de falar. Após um tempo para nossa leitura, Luciane reuniu-nos em dois grupos. Um grupo discutia as ideias da unidade 17 – Estilística e outro observava algumas questões predeterminadas pela profe. Minha colega Karla e eu observamos a organização do grupo(Como se organizou, alguém liderou a discussão, houve preocupação com o tempo, houve uma organização nos trabalhos, a unidade foi satisfatoriamente contemplada). Depois comentamos nossas observações.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"NARRADORES DE JAVÉ": contribuindo para o meu saber

Narradores de Javé impressionou-me positivamente. É um filme que eu recomendo a todos. É divertido, interessante e seus atores representam muito bem. É imperdível. O drama trata de um povoado fictício, Javé, que estava prestes a desaparecer devido a construção de uma hidrelétrica, que representava a chegada do progresso, da modernidade, àquela região. Para mudar esta triste realidade, o povo de Javé decidiu escrever a sua história, para que sua terra fosse reconhecida como patrimônio histórico e preservada do desaparecimento. Naquele lugar esavam suas lembranças, suas esperanças e seus antepassados. Estes, enterrados sob aquele chão. Como poderiam ficar enterrados e submersos nas águas? E o povo para onde iria? O que fariam? O povo confrontou-se com a dura realidade. Deveria lutar pelo seu espaço, pela história de suas vidas. E para isso não bastava a história contada oralmente, precisavam de uma história registrada no papel. A única pessoa alfabetizada de Javé era Antônio Biá. Ele foi incumbido de recuperar e registrar a história daquele povoado no papel, cientificamente. E deveria realizar tais registros a partir das memórias dos seu moradores, os narradores da história. O Vale de Javé precisava, através da oralidade, das “lembranças javélicas” , reconstruir sua história que poderia garantir o futuro, tão incerto. Evidencia-se aqui a importância da cultura letrada sobre a oralidade do povo. O registro escrito toma tal importância que a história do povoado somente seria reconhecida se estivesse legitimado pela escrita. Caso isso não acontecesse o aniquilamento seria certo. Antônio Biá passa, então, a escutar os moradores, o que eles sabiam e o que lhes havia sido passado de geração em geração. A cada narração que ouvia, Biá descobria uma nova história e, a ela, cada pessoa atribuía sentido diferente, conforme a sua visão, aquilo em que acreditava, o que havia ouvido. O modo de ser e de pensar dos moradores, sua vivência, sua cultura ficava evidenciado. Isso gerou muita confusão entre eles e Biá já não sabia o que registrar, pois para cada morador a sua história era a verídica. É possível notar que a comunidade de Javé não era alfabetizada, mas letrada e produtora de uma linguagem própria, que faz a graça na oralidade. Exemplo disso é a própria casa de Biá, cujas paredes são escritas com ditos e frases como “aqui mora um intelectual alcoólatra”.Na porta da sua casa havia outra frase:”Proibido entrada de analfabeto” Lembremos também do outdoor da hidrelétrica, que põe o povo em polvorosa e da placa do barbeiro sob a árvore. Mas infelizmente, esse letramento não foi reconhecido, as palavras ditas passaram como o vento, a história não foi registrada e Javé sucumbiu. É o poder da palavra escrita! Mas para ser escrita a mesma palavra passou pela oralidade. Não poderia o contar, o argumento, daquele povo ser reconhecido como legítimo, uma vez que representa a história e a verdade de cada um?

Encontro dia 03.09.2009

Neste encontro comentamos sobre o filme Narradores de Javé, falamos sobre as nossas reflexões, sobre o que aprendemos. Cada um de nós escreveu um texto sobre o filme. O meu está postado acima. Após retomamos o nosso TP4, na pág. 161- 162 – Escrita, crenças e teorias. Lemos os poemas Eu é que pergunto para a caneta - de Gabriel o Pensador e A mão do poeta - de Leo Cunha. Tais poemas, de certa forma, fazem analogia com o filme Narradores de Javé. Seguindo, lemos e refletimos sobre a PEDAGOGIA DA ESCRITA e pudemos notar algumas crenças:(TP4 pgs. 164-169) A escrita é uma transcrição da fala; Só se escreve utilizando a norma padrão; Todo bom leitor é também um bom escritor; Na escola escreve-se para produzir textos narrativos, descritivos e dissertativos; Comentamos um pouco sobre tais crenças e a nossa prática e percebemos que elas geralmente não são verdadeiras. Também lemos alguns depoimentos sobre o ato de ler. Na pág. 18 do TP4 Patativa do Assaré relata como foi a sua aquisição da leitura e na pág. 19 Paulo FReire fala da "leitura do mundo" e como foi alfabetizado. UM TEMA:Deveremos aplicar a atividade sugerida na página 172 e levarmos no próximo encontro(17.09) para estudarmos a coesão e a coerência textual. Então passamos a estudar as unidades 14 e 15 do TP4, a partir de MAPAS CONCEITUAIS. (Não consegui postar as informações em forma de mapa conceitual, porém mantive-as). O MAPA CONCEITUAL apresenta tema; apresentação de tópicos em sequências hierarquizadas; Feedbacks para revisão de conceitos. Reunimo-nos em pequenos grupos para trabalharmos. Eudair e eu ficamos responsáveis por apresentar as ideias das seções 2 e 3 da unidade 14, que seguem ------------------------------------ UNIDADE 14 Seção 2 OS OBJETIVOS DE LEITURA: expectativas e escolha de texto OBJETIVOS DA ESCOLA suportes diversificados; significar a prática da leitura; oferecer diferentes tipos de leitura; motivar o aluno a ler; conhecer o interesse dos alunos OBJETIVOS PARA O ALUNO Necessidade de ler; Razões para saber algo; Predisposição para leitura; LEMOS PARA obter informações gerais; obter informações específicas; aprender determinados tópicos; analisar e comparar dados ou posições; devanear ou evadir-se; TAIS OBJETIVOS Definem o texto a ser lido, os procedimentos de leitura, a compreensão do texto e o empenho no ato de ler. Através das FORMAS DE LEITURA(Foucambert)que são Exploratória Seletiva Informativa Conhecimento Global Fruição ------------------------------------------------------------------------------- UNIDADE 14 Seção 3 CONHECIMENTOS PRÉVIOS E PRODUÇÃO DE SIGNIFICADO DO TEXTO Por conhecimentos prévios se entende: O QUE JÁ SE SABE sobre conhecimentos linguísticos; conteúdo; conhecimento sobre as características do gênero; E PELOS VALORES Resultantes das diferentes aprendizagens ao longo da vida. QUE SÃO Fatores determinantes na nossa opção de leitura e na produção de seu significado para nós. A seguir, todos os grupos apresentaram os assuntos da seção da qual ficaram responsáveis. Foi mais um momento gratificante de aprendizado.

Conhecendo a proposta do "LeiturAção"

No dia 02 de setembro, no auditório da escola Gusmão participamos da reunião que nos colocou a par da proposta do projeto LeiturAção. A reunião iniciou-se com a música "Asa de Papel"( Marcelo Xavier/Marcelo Cottrin – Coral Infantil Escola Projeto – Porto Alegre. A seguir a professora Lucrecia Fuhrmann – Coordenadora SMED – apresentou-nos uma contextualização das ações em prol da leitura feitas em nosso município desde 2005. Também apresentou o projeto em si. É uma proposta bem interessante, pois visa trabalhar coma a leitura literária na escola, proporcionando o contato dos alunos com obras de escritores(gaúchos) contemporâneos, bem como com a figura do escritor, quando de sua visita à escola, por intermédio do trabalho orientado pelo professor, como mediador de leitura.(Objetivo Geral do Projeto). Também torna-se atraente pois busca a formação de leitores, de mediadores de leitura e a melhoria do acervo das bibliotecas escolares. As escola obedeceram alguns critérios para serem selecionadas, que foram: Iniciativas com relação à leitura; Propostas de trabalho na biblioteca: leitura, contação de histórias; Professores participantes do GESTAR II, do Pró-letramento e do Ler é Saber; Após, fomos informados sobre as escolas selecionadas, e a Escola Clodomir Vianna Moog foi selecionada, entre outras. Soubemos também o nome dos autores com os quais trabalharemos: LUIZ DILL e CAIO RITER. Nossa escola trabalhará com CAIO RITER. Recebemos, então o acervo: Debaixo do mau tempo(15 exemplares), Eduarda na barriga do dragão(3 exemplares). Receberemos, ainda, as obras O rapaz que não era de Liverpool(4 exemplares), Um reino todo quadrado(2 exemplares) e, infelizmente, não recebemos nenhum exemplar do livro Fusquinha cor-de-rosa. Nos dias 18.09.09 e 08.10.09 acontecerá a Formação de Mediadores de leitura. Na primeira data o tema será O professor como multiplicador de leitores. Na segunda, Roteiro de leitura: uma proposta para a sistematização do trabalho com a leitura na sala de aula. Vale destacar que estes dois momentos serão ministrados pela especialista em literatura brasileira e infanto-juvenil ELAINE MARITZA DA SILVEIRA. Tem tudo para ser proveitoso! Entre outras estas foram as informações mais importantes deste encontro.

sábado, 29 de agosto de 2009

Encontro dia 27.08.2009

Neste dia ficamos sabendo que precisaremos mudar o local de nossos encontros: Ou vamos para a escola Irmão Weibert ou para o Chalé do Ginásio Municipal. Aguardemos a decisão. Também combinamos que mandaremos nossos trabalhos sobre poema e poesia para a professora Luciane e ela se encarregará de enviar para todas. Assim economizamos papel e preservamos a natureza. Em tempos de tecnologia tudo fica mais fácil! Faremos uma pasta de arquivo e teremos uma boa quantidade de sugestões para trabalharmos com poemas. Legal!
Após estes acertos, conversamos sobre os pontos interessantes e importantes da entrevista com Magda Becker Soares "LETRAR É MAIS QUE ALFABETIZAR"(Que postei anteriormante). É bem interessante. Leiam!
Seguindo, nossa profe. Luciane colocou um vídeo sobre o que é letramento, com um belo poema. Fico devendo o nome da autora, lapso meu! Mas, o título é O que é letramento?. Foi bem interessante.
Após, Luciane nos mostrou a revista Nova Escola, que vem trazendo várias matérias sobre leitura, escrita e a edição de agosto - Como trabalhar com gêneros_ está bem pertinente. Também nos colocou a par das escolas contempladas pelo projeto LEITURAÇÃO. Fiquei feliz, pois minha escola foi escolhida(mediante alguns critérios) para participar. Provavelmente nossa escola trabalhará com o escritor CAIO RITER
Assistimos ao filme Narradores de Javé. Luciane nos entregou um roteiro de observação para que aproveitássemos melhor e pudéssemos depois refletir sobre os assuntos trazidos pelo filme.
No final do encontro nos entregou, para leitura em casa, o texto Narradores de Javé: uma fábula que vai ao fundo da memória genuína e brasileira - de Antônio Gil Neto, publicado em 23/07/2009 - Comunidade Escrevendo o futuro.Também deveremos produzir uma reflexão uma dissertação sobre o filme. Quando estiver pronto eu postarei, então.
E foi isso...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PARA SABER MAIS...

"LETRAR É MAIS QUE ALFABETIZAR" Entrevista com Magda Becker Soares. Nos dias de hoje, em que as sociedades do mundo inteiro estão cada vez mais centradas na escrita, ser alfabetizado, isto é, saber ler eescrever, tem se revelado condição insuficiente para responder adequadamente às demandas contemporâneas. É preciso ir além da simples aquisição do código escrito, é preciso fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, apropriar-se da função social dessas duas práticas; é preciso letrar-se. O conceito de letramento, embora ainda não registrado nos dicionários brasileiros, tem seu aflorar devido à insuficiência reconhecida do conceito de alfabetização. E, ainda que não mencionado, já está presente na escola, traduzido em ações pedagógicas de reorganização do ensino e reformulação dos modos de ensinar, como constata a professora Magda Becker Soares, que, há anos, vem se debruçando sobre esse conceito e sua prática. "A cada momento, multiplicam-se as demandas por práticas de leitura e de escrita, não só na chamada cultura do papel, mas também na nova cultura da tela, com os meios eletrônicos", diz Magda, professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Se uma criança sabe ler, mas não é capaz de ler um livro, uma revista, um jornal, se sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é alfabetizada, mas não é letrada", explica. Para ela, em sociedades grafocêntricas como a nossa, tanto crianças de camadas favorecidas quanto crianças das camadas populares convivem com a escrita e com práticas de leitura e escrita cotidianamente, ou seja, vivem em ambientes de letramento. "A diferença é que crianças das camadas favorecidas têm um convívio inegavelmente mais freqüente e mais intenso com material escrito e com práticas de leitura e de escrita", diz. "É prioritário propiciar igualmente a todos o acesso ao letramento, um processo de toda a vida". (ELIANE BARDANACHVILI) - O que levou os pesquisadores ao conceito de "letramento", em lugar do de alfabetização? - A palavra letramento e, portanto, o conceito que ela nomeia entraram recentemente no nosso vocabulário. Basta dizer que, embora apareça com freqüência na bibliografia acadêmica, a palavra não está ainda nos dicionários. Há, mesmo, vários livros que trazem essa palavra no título. Mas ela não foi ainda incluída, por exemplo, no recente Michaelis, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa , de 1998, nem na nova edição do Aurélio, o Aurélio Século XXI , publicado em 1999. É preciso reconhecer também que a palavra não foi incorporada pela mídia ou mesmo pelas escolas e professores. É ainda uma palavra quase só dos "pesquisadores", como bem diz a pergunta. O mesmo não acontece com o conceito que a palavra nomeia, porque ele surge como conseqüência do reconhecimento de que o conceito de alfabetização tornou-se insatisfatório. - Por quê? - A preocupação com um analfabetismo funcional [terminologia que a Unesco recomendara nos anos 70, e que o Brasil passou usar somente a partir de 1990, segundo a qual a pessoa apenas sabe ler e escrever, sem saber fazer uso da leitura e da escrita], ou com o iletrismo, que seria o contrário de letramento, é um fenômeno contemporâneo, presente até no Primeiro Mundo. - E como isso ocorre? - É que as sociedades, no mundo inteiro, tornaram-se cada vez mais centradas na escrita. A cada momento, multiplicam-se as demandas por práticas de leitura e de escrita, não só na chamada cultura do papel, mas também na nova cultura da tela, com os meios eletrônicos, que, ao contrário do que se costuma pensar, utilizam-se fundamentalmente da escrita, são novos suportes da escrita. Assim, nas sociedades letradas, ser alfabetizado é insuficiente para vivenciar plenamente a cultura escrita e responder às demandas de hoje. - Qual tem sido a reação a esse fenômeno lá fora? - Nos Estados Unidos e na Inglaterra, há grande preocupação com o que consideram um baixo nível de literacy da população, e, periodicamente, realizam-se testes nacionais para avaliar as habilidades de leitura e de escrita da população adulta e orientar políticas de superação do problema. Outro exemplo é a França. Os franceses diferenciam illettrisme muito claramente illettrisme de analphabétisme . Este último é considerado problema já vencido, com exceção para imigrantes analfabetos em língua francesa. Já illettrisme surge como problema recente da população francesa. Basta dizer que a palavra illettrisme só entrou no dicionário, na França, nos anos 80. Em Portugal é recente a preocupação com a questão do letramento, que lá ganhou a denominação de literacia, numa tradução mais ao pé da letra do inglês literacy . - O que explica o aparecimento do conceito de letramento entre nós? - Não se trata propriamente do aparecimento de um novo conceito, mas do reconhecimento de um fenômeno que, por não ter, até então, significado social, permanecia submerso. Desde os tempos do Brasil Colônia, e até muito recentemente, o problema que enfrentávamos em relação à cultura escrita era o analfabetismo, o grande número de pessoas que não sabiam ler e escrever. Assim, a palavra de ordem era alfabetizar. Esse problema foi, nas últimas décadas, relativamente superado, vencido de forma pelo menos razoável. Mas a preocupação com o letramento passou a ter grande presença na escola, ainda que sem o reconhecimento e o uso da palavra, traduzido em ações pedagógicas de reorganização do ensino e reformulação dos modos de ensinar. - Como o conceito de letramento, mesmo sem que se utilize este termo, vem sendo levado à prática? - _ No início dos anos 90, começaram a surgir os ciclos básicos de alfabetização, em vários estados; mais recentemente, a própria lei [Lei de Diretrizes e Bases, de 1996] criou os ciclos na organização do ensino. Isso significa que, pelo menos no que se refere ao ciclo inicial, o sistema de ensino e as escolas passam a reconhecer que alfabetização, entendida apenas como a aprendizagem da mecânica do ler e do escrever e que se pretendia que fosse feito em um ano de escolaridade, nas chamadas classes de alfabetização, é insuficiente. Além de aprender a ler e a escrever, a criança deve ser levada ao domínio das práticas sociais de leitura e de escrita. Também os procedimentos didáticos de alfabetização acompanham essa nova concepção: os antigos métodos e as antigas cartilhas, baseados no ensino de uma mecânica transposição da forma sonora da fala à forma gráfica da escrita, são substituídos por procedimentos que levam as crianças a conviver, experimentar e dominar as práticas de leitura e de escrita que circulam na nossa sociedade tão centrada na escrita. - Como se poderia, então, definir letramento? - Letramento é, de certa forma, o contrário de analfabetismo. Aliás, houve um momento em que as palavras letramento e alfabetismo se alternavam, para nomear o mesmo conceito. Ainda hoje há quem prefira a palavra alfabetismo à palavra letramento - eu mesma acho alfabetismo uma palavra mais vernácula que letramento, que é uma tentativa de tradução da palavra inglesa literacy , mas curvo-me ao poder das tendências lingüísticas, que estão dando preferência a letramento. Analfabetismo é definido como o estado de quem não sabe ler e escrever; seu contrário, alfabetismo ou letramento, é o estado de quem sabe ler e escrever. Ou seja: letramento é o estado em que vive o indivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive: sabe ler e lê jornais, revistas, livros; sabe ler e interpretar tabelas, quadros, formulários, sua carteira de trabalho, suas contas de água, luz, telefone; sabe escrever e escreve cartas, bilhetes, telegramas sem dificuldade, sabe preencher um formulário, sabe redigir um ofício, um requerimento. São exemplos das práticas mais comuns e cotidianas de leitura e escrita; muitas outras poderiam ser citadas. - Ler e escrever puramente tem algum valor, afinal? - Alfabetização e letramento se somam. Ou melhor, a alfabetização é um componente do letramento. Considero que é um risco o que se vinha fazendo, ou se vem fazendo, repetindo-se que alfabetização não é apenas ensinar a ler e a escrever, desmerecendo assim, de certa forma, a importância de ensinar a ler e a escrever. É verdade que esta é uma maneira de reconhecer que não basta saber ler e escrever, mas, ao mesmo tempo, pode levar também a perder-se a especificidade do processo de aprender a ler e a escrever, entendido como aquisição do sistema de codificação de fonemas e decodificação de grafemas, apropriação do sistema alfabético e ortográfico da língua, aquisição que é necessária, mais que isso, é imprescindível para a entrada no mundo da escrita. Um processo complexo, difícil de ensinar e difícil de aprender, por isso é importante que seja considerado em sua especificidade. Mas isso não quer dizer que os dois processos, alfabetização e letramento, sejam processos distintos; na verdade, não se distinguem, deve-se alfabetizar letrando . - De que forma? - Se alfabetizar significa orientar a criança para o domínio da tecnologia da escrita, letrar significa levá-la ao exercício das práticas sociais de leitura e de escrita. Uma criança alfabetizada é uma criança que sabe ler e escrever; uma criança letrada (tomando este adjetivo no campo semântico de letramento e de letrar, e não com o sentido que tem tradicionalmente na língua, este dicionarizado) é uma criança que tem o hábito, as habilidades e até mesmo o prazer de leitura e de escrita de diferentes gêneros de textos, em diferentes suportes ou portadores, em diferentes contextos e circunstâncias. Se a criança não sabe ler, mas pede que leiam histórias para ela, ou finge estar lendo um livro, se não sabe escrever, mas faz rabiscos dizendo que aquilo é uma carta que escreveu para alguém, é letrada, embora analfabeta, porque conhece e tenta exercer, no limite de suas possibilidades, práticas de leitura e de escrita. Alfabetizar letrando significa orientar a criança para que aprenda a ler e a escrever levando-a a conviver com práticas reais de leitura e de escrita: substituindo as tradicionais e artificiais cartilhas por livros, por revistas, por jornais, enfim, pelo material de leitura que circula na escola e na sociedade, e criando situações que tornem necessárias e significativas práticas de produção de textos. - O processo de letramento ocorre, então, mesmo entre crianças bem pequenas... - Pode-se dizer que o processo começa bem antes de seu processo de alfabetização: a criança começa a "letrar-se" a partir do momento em que nasce numa sociedade letrada. Rodeada de material escrito e de pessoas que usam a leitura e a escrita - e isto tanto vale para a criança das camadas favorecidas como para a das camadas populares, pois a escrita está presente no contexto de ambas -, as crianças, desde cedo, vão conhecendo e reconhecendo práticas de leitura e de escrita. Nesse processo, vão também conhecendo e reconhecendo o sistema de escrita, diferenciando-o de outros sistemas gráficos (de sistemas icônicos, por exemplo), descobrindo o sistema alfabético, o sistema ortográfico. Quando chega à escola, cabe à educação formal orientar metodicamente esses processos, e, nesse sentido, a Educação Infantil é apenas o momento inicial dessa orientação. - O processo de letramento ocorre durante toda a vida escolar? - A alfabetização, no sentido que atribuí a essa palavra, é que se concentra nos primeiros anos de escolaridade. Concentra-se aí, mas não ocorre só aí: por toda a vida escolar os alunos estão avançando em seu domínio do sistema ortográfico. Aliás, um adulto escolarizado, quando vai ao dicionário, resolver dúvida sobre a escrita de uma palavra está retomando seu processo de alfabetização. Mas esses procedimentos de alfabetização tardia são esporádicos e eventuais, ao contrário do letramento, que é um processo que se estende por todos os anos de escolaridade e, mais que isso, por toda a vida. Eu diria mesmo que o processo de escolarização é, fundamentalmente, um processo de letramento. - Em qualquer disciplina? - Em todas as áreas de conhecimento, em todas as disciplinas, os alunos aprendem através de práticas de leitura e de escrita: em História, em Geografia, em Ciências, mesmo na Matemática, enfim, em todas as disciplinas, os alunos aprendem lendo e escrevendo. É um engano pensar que o processo de letramento é um problema apenas do professor de Português: letrar é função e obrigação de todos os professores. Mesmo porque em cada área de conhecimento a escrita tem peculiaridades, que os professores que nela atuam é que conhecem e dominam. A quantidade de informações, conceitos, princípios, em cada área de conhecimento, no mundo atual, e a velocidade com que essas informações, conceitos, princípios são ampliados, reformulados, substituídos, faz com que o estudo e a aprendizagem devam ser, fundamentalmente, a identificação de ferramentas de busca de informação e de habilidades de usá-las, através de leitura, interpretação, relacionamento de conhecimentos. E isso é letramento, atribuição, portanto, de todos os professores, de toda a escola. - Mas seria maior a responsabilidade do professor de Português? - É claro que o professor de Português tem uma responsabilidade bem mais específica com relação ao letramento: enquanto este é um "instrumento" de aprendizagem para os professores das outras áreas, para o professor de Português ele é o próprio objeto de aprendizagem, o conteúdo mesmo de seu ensino. - Muitos pais reclamam do fato de, hoje, os grandes textos de literatura, nos livros didáticos, darem lugar a letras de música, rótulos de produtos, bulas de remédio. O que essa ênfase nos textos do dia-a-dia tem de positivo e o que teria de negativo? -É verdade que o conceito de letramento, bem como a nova concepção de alfabetização que decorre dele e também das teorias do construtivismo que chegaram ao campo da educação e do ensino nos anos 80, trouxeram um certo exagero na utilização de diferentes gêneros e diferentes portadores de texto na sala de aula. É realmente lamentável que os textos literários, até pouco tempo atrás exclusivos nas aulas de Português, tenham perdido espaço. É preciso não esquecer que, exatamente porque a literatura tem, lamentavelmente, no contexto brasileiro, pouca presença na vida cotidiana dos alunos, cabe à escola dar a eles a oportunidade de conhecê-la e dela usufruir. Por outro lado, tem talvez faltado critério na seleção dos gêneros. Por exemplo: parece-me equivocado o trabalho com letras de música, que perdem grande parte de seu significado e valor se desvinculadas da melodia: é difícil apreciar plenamente uma canção de Chico Buarque ou de Caetano Veloso lendo a letra da canção como se fosse um poema, desligada ela da música que é quem lhe dá o verdadeiro sentido e a plena expressividade. Parece óbvio que devem ser priorizados, para as atividades de leitura, os gêneros que mais freqüentemente ou mais necessariamente são lidos, nas práticas sociais, e, para as atividades de produção de texto, os gêneros mais freqüentes ou mais necessários nas práticas sociais de escrita. Estes não coincidem inteiramente com aqueles, já que há gêneros que as pessoas lêem, mas nunca ou raramente escrevem, e há gêneros que as pessoas não só lêem, mas também escrevem. Por exemplo: rótulos de produtos são textos que devemos aprender a ler, mas certamente não precisaremos aprender a escrever. Assim, a adoção de critérios bem fundamentados para selecionar quais gêneros devem ser trabalhados em sala de aula, para a leitura e para a produção de textos, afastará os aspectos negativos que uma invasão excessiva e indiscriminada de gêneros e portadores sem dúvida tem. - A condução do processo de letramento difere, no caso de se lidar com uma criança de classe mais favorecida ou com uma de classe popular? - Em sociedades grafocêntricas como a nossa, tanto crianças de camadas favorecidas quanto crianças das camadas populares convivem com a escrita e com práticas de leitura e escrita cotidianamente, ou seja, umas e outras vivem em ambientes de letramento. A diferença é que crianças das camadas favorecidas têm um convívio inegavelmente mais freqüente e mais intenso com material escrito e com práticas de leitura e de escrita do que as crianças das camadas populares, e, o que é mais importante, essas crianças, porque inseridas na cultura dominante, convivem com o material escrito e as práticas que a escola valoriza, usa e quer ver utilizados. Dois aspectos precisam, então, ser considerados: de um lado, a escola deve aprender a valorizar também o material escrito e as práticas de leitura e de escrita com que as crianças das camadas populares convivem; de outro lado, a escola deve dar oportunidade a essas crianças de ter acesso ao material escrito e às práticas da cultura dominante. Da mesma forma, a escola que serve às camadas dominantes deve dar oportunidade às crianças dessas camadas de conhecer e usufruir da cultura popular, tendo acesso ao material escrito e às práticas dessa cultura. - Como deve ser a preparação do professor para que ele "letre"? Em que esse preparo difere daquele que o professor recebe hoje? - Entendendo a função do professor, de qualquer nível de escolaridade, da Educação Infantil à educação pós-graduada, como uma função de letramento dos alunos em sua área específica, o professor precisa, em primeiro lugar, ser ele mesmo letrado na sua área de conhecimento: precisa dominar a produção escrita de sua área, as ferramentas de busca de informação em sua área, e ser um bom leitor e um bom produtor de textos na sua área. Isso se refere mais particularmente à formação que o professor deve ter no conteúdo da área de conhecimento que elegeu. Mas é preciso, para completar uma formação que o torne capaz de letrar seus alunos, que conheça o processo de letramento, que reconheça as características e peculiaridades dos gêneros de escrita próprios de sua área de conhecimento. Penso que os cursos de formação de professores, em qualquer área de conhecimento, deveriam centrar seus esforços na formação de bons leitores e bons produtores de texto naquela área, e na formação de indivíduos capazes de formar bons leitores e bons produtores de textos naquela área. (Jornal do Brasil - 26/11/2000) DIPONÍVEL SITE NOSSA LÍNGUA_NOSSA PÁTRIA

Voltando das férias: encontro dia 13.08.09

Olá pessoal! Após alguns bons dias de férias voltamos ao Gestar. Neste dia, iniciamos o encontro com alguns recados da professora Luciane:
  • Nossos blogs/pastas
  • Data do nosso próximo encontro: 27/08
  • Projeto de Leitura de São Leopoldo: LEITURAÇÃO(infelizmente nem todas as escolas poderão participar, somente 10. Espero que a minha seja contemplada)
  • ARTES E OFÍCIOS e o Projeto Leituração(autores,oficinas, quantidade de livros, catálogo com sugestões de títulos)
  • Plantões do Gestar(Professora Luciane), datas e horários
  • Tutor(a) para o Pólo: carga horária, remuneração, etc.
  • Recuperação do dia 06/08: ainda a resolver
  • La Machinerie de L'art - França/Brasil: comentários
  • Prêmio Sesc de Literatura/2009: informações
  • Sugestões de livros para a nossa prática

Após recados, comentários e informações iniciamos o trabalho do dia: Unidade 11 - TP3 - TIPOS TEXTUAIS - Conceituar sequências tipológicas

Tipologia textual é uma outra classificação que tem estreitas relações com a de gêneros. Os tipos mais frequentes na nossa prática escolar são o descritivo, o narrativo. Também trabalhamos comumente com os tipos expositivo e argumentativo. Entretando, pouco trabalhamos com os tipos injuntivo(ou instrucional) e preditivo.(TP3 - p.97)

Nos dividimos em grupos. Cada grupo ficou responsável por conceituar um tipo textual, montando um cartaz para apresentar. Meu grupo trabalhou com o tipo PREDITIVO. Este tipo textual

  • prediz alguma coisa;
  • leva o interlocutor a crer em algo que ainda vai ocorrer;
  • tempos verbais, predominantemente, no futuro;
  • a cronologia e a ordenação dos enunciados não são relevantes;
  • distingue-se do tipo narrativo, pois descreve fatos/eventos futuros;
  • Exemplos de gêneros textuais que contêm esta tipologia: previsão do tempo, horóscopo, algumas predições que realizamos como: "_Vai chover!"
  • Após, todos apresentamos os cartazes e discutimos as idéias. Quanto ao texto preditivo notamos, por exemplo, que no horóscopo há predominância de verbos no tempo presente, mas é um presente que prevê o que está por acontecer.

    Seguindo a profe. Luciane nos entregou a crônica Pergunta Infalível - de Nilson Souza, publicada no Zero Hora, 25/07/09. Lemos o texto e identificamos quantas tipologias podem haver num mesmo gênero textual. Nesta crônica, foi possível identificar os tipos descritivo, injuntivo, dissertativo expositivo, argumentativo, expositivo e preditivo.

    E foi isso... até o próximo encontro em 27/08/09.

    sexta-feira, 21 de agosto de 2009

    Rascunhando nosso Projeto de Leitura

    Durante as férias prolongadas, minha colega Eudair e eu, esqueletamos nosso projeto de leitura. Decidimos que se intitularia
    PARA GOSTAR DE LER
    Enviamos por email para a professora Luciane que, juntamente com a professora Juraci, leram e aprovaram. Agora a fase é de implantação em nossas escolas( Eudair: Maria Emília de Paula - e eu - Clodomir Vianna Moog) e de leituras para o embasamento teórico. Quando o projeto estiver melhor organizado será postado para a apreciação de todos, assim como os relatórios da prática.
    Estamos torcendo para que tudo dê certo e que os resultados sejam ótimos.

    domingo, 16 de agosto de 2009

    SOBRE POEMAS E POETAS - Anna Helena Altenfelder

    SOBRE POEMAS E POETAS
    Autora: Anna Helena Altenfelder Mestre em Educação, autora do fascículo Poetas da Escola do Kit Itaú de Textos
    Poemas e poetas: estes assuntos trazem muitos questionamentos a todos que se envolvem com o ensino de língua. O que é poesia? O que são poemas? O que são versos? Como ensinar a escrever poemas? Nosso objetivo, com este texto, não é esclarecer definitivamente essas questões, mas criar um espaço para a reflexão sobre elas antes de propor um caminho para o importante e necessário trabalho com poesia em sala de aula. Olhar os poetas e suas produções com um olhar mais analítico, para além da fruição da beleza da poesia, requer bastante reflexão. Como o tema é polêmico e complexo e vem sendo freqüentemente abordado por grandes estudiosos desde a Antiguidade, há vasta produção de respostas. Essas respostas, porém, podem ser muito complicadas para servirem de apoio imediato à construção de um caminho pedagógico para o ensino de poesia e poemas na escola. Para nos auxiliar no desenho desse caminho, podemos começar dizendo que, atualmente, admite-se uma grande divisão em dois gêneros para toda produção escrita da humanidade, desde os primórdios até hoje: a poesia e a prosa. Esses dois grandes gêneros se subdividem em inúmeros outros. No caso da prosa, podemos citar gêneros literários, como romances, contos e crônicas; gêneros originados do trabalho científico, como os artigos e relatórios; gêneros jornalísticos, como notícias e reportagens, entre infinitos outros gêneros. No caso da poesia, também há uma subdivisão em grandes gêneros, como o gênero épico ou o gênero lírico, entre outros. Todos os gêneros da poesia se expressam em poemas. Poesia e poemas Mas qual é a diferença entre as expressões poesia e poema? Será que elas querem dizer a mesma coisa? Segundo o Mini Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, poesia é a "Arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados". No mesmo dicionário, poema é definido como: "Obra, em verso ou não, em que há poesia", ou seja: quando falamos em poema, estamos nos referindo a textos que têm ritmo e sonoridade próprios e contêm poesia; quando falamos de poesia, nos referimos àquilo que torna um texto poético. O que torna um texto poético é o sentido artístico que seu autor consegue imprimir ao que escreve. Os poemas só ganham existência concreta como elementos de comunicação se houver leitores interessados em ler o que os poetas escrevem. Essa forma de interação entre poeta e leitor indica elementos essenciais da situação em que os poemas são escritos: - de um lado, estão os poetas, artistas que escrevem com a intenção de emocionar, divertir, convencer e fazer pensar o mundo de um jeito novo, original e único, de modo a encantar ou mesmo chocar os leitores, para aproximá-los do que sentem sobre o mundo, por meio da arte de escrever poesia em poemas; - do outro lado, estão os leitores, pessoas que desejam, quando lêem poemas, sentir e emocionar-se com o que lêem mais do que raciocinar logicamente sobre o assunto lido. É essa situação de comunicação especial própria da arte que dá o "tom" de poesia aos poemas. Poemas Para aprofundar a reflexão sobre o assunto e ter apoio suficiente para construir um trabalho eficaz em sala de aula, também é preciso, além de compreender que há diferenças entre poesia e poema, identificar características próprias dos poemas para auxiliar os alunos a compreendê-los. Não é fácil, porém, identificar essas características porque, em primeiro lugar, há muitos gêneros de poemas, cada um com suas particularidades, e , em segundo lugar, porque a poesia é o território da escrita onde há mais liberdade para escrever. Assim, se tentarmos identificar poemas entre outros textos buscando formas típicas gerais, exemplares, que sirvam para classificar todos os tipos de poemas, não vamos conseguir grande coisa. Sonetos ou odes, por exemplo, tipos de poemas que existem desde épocas mais antigas, têm quantidade de versos e distribuição desses versos determinadas por regras rígidas, o que leva esses textos a terem formas gráficas bem definidas. Já os poemas contemporâneos costumam ter formas mais soltas, menos determinadas. Além de serem expressos em diferentes organizações e formas gráficas, os poemas também falam sobre diferentes temas: a terra natal, uma história ou, ainda, injustiças e desigualdades sociais. Assim, também não são temas próprios que definem os poemas e os distinguem dos textos em prosa. A existência de rimas, por outro lado, também não é suficiente para transformar um texto em poema. Como distinguir, então, um poema de outros textos? Uma indicação segura é a sonoridade, o "tom" que eles apresentam. Os poetas, ao escreverem, buscam que o poema tenha uma cadência, como um tambor batendo em intervalos regulares, o que faz com que o leitor perceba o texto poético pelo ouvido. É por isso que tão gostoso quanto ler poemas é ouvi-los sendo declamados. Além de apoiar-se no ritmo, para dar ao que escreve o "tom" de poema, o poeta usa outros recursos: joga com a sonoridade das palavras, busca sons similares rimando as palavras no final dos versos, ou repete sons parecidos ou iguais em várias palavras, fazendo com que elas ecoem ao longo do texto. Muitas vezes o poeta pode ir além e transmitir a impressão que algo lhe causou, criando imagens. Pode usar, também, o recurso da metáfora, dando às palavras um sentido mais rico, como se elas quisessem dizer mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou fazer comparações. Além de ser percebido pelo ouvido, um poema pode ser identificado pelo olhar, pelo modo como o texto é disposto na folha de papel. Alguns poetas dispõem os versos nas páginas de forma tão especial que criam uma imagem concreta, dando ao leitor a idéia do que vai ler, antes mesmo de ler as palavras. Se o poeta escreve sobre girassóis, por exemplo, pode dispor as palavras no texto em forma de girassol, reforçando a imagem que as palavras trazem. Todos esses recursos utilizados na escrita de poemas despertam a compreensão do leitor mais pelos sentimentos e emoções, do que pelo pensamento racional. Assim, diferentemente do que se pensa usualmente, poema não é só aquilo que rima, tem sílabas contadas, musicalidade ou um esquema definido de composição. Não é só a forma e o ritmo que o definem, mas, principalmente, a maneira como o poeta vê as coisas, como nos revela Fernando Pessoa, na voz de Alberto Caeiro, seu heterônimo: "Não me importo com as rimas. Raras vezes Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra. Penso e escrevo como as flores têm cor." Para comporem seus poemas, os poetas, mesmo aqueles já consagrados, passam muito tempo arrumando o que escreveram, organizando, mexendo com as palavras, experimentando vários jeitos de fugir do lugar-comum, romper clichês e encantar o leitor com sua maneira própria de ver o mundo. Como se vê, não é só de inspiração que são feitos os poemas: ao contrário do que parece à primeira vista, o ofício de poeta exige muito trabalho. A escrita de poemas pelos alunos também exige trabalho: leitura de muitos poemas, reflexão sobre a situação de produção, atividades para que se apropriem de recursos poéticos e possam utilizá-los com facilidade. Alguma inspiração também é necessária para que os poemas aconteçam, é claro. Mas convém dizer que inspiração só se realiza concretamente quando dominamos os instrumentos necessários para lhe dar vida e que ela se torna mais refinada quando praticamos continuamente o uso desses instrumentos. Assim como um pianista precisa ouvir muita música e saber utilizar seu instrumento, o piano, para compor e tocar, os alunos precisam ler e conhecer muito bem os diversos gêneros poéticos para serem bons autores de poemas.