No encontro do dia 26.11.2009, nossa professora formadora Luciane iniciou o encontro passando o vídeo “Assalto linguístico”. Uma peça teatral bem interessante e divertida sobre os deslizes que cometemos ao fazer uso da linguagem oral. Muito interessante.segunda-feira, 30 de novembro de 2009
FRASE, PERÍODO, ORAÇÃO, SABERES E PRÁTICAS
No encontro do dia 26.11.2009, nossa professora formadora Luciane iniciou o encontro passando o vídeo “Assalto linguístico”. Uma peça teatral bem interessante e divertida sobre os deslizes que cometemos ao fazer uso da linguagem oral. Muito interessante.domingo, 22 de novembro de 2009
ENCONTRO DIA 19.11.2009
Ao sinal do orientador da oficina, cada participante começa a pintar livremente no papel a sua frente,;Através desta atividade trabalha-se:
O DIA D: AUTOR CAIO RITER NA NOSSA ESCOLA!!!!!
Alunas auxiliando na organização do espaço e "Debaixo de mau tempo" em maquete(5S1)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
VARIANTES LINGUÍSTICA DA LÍNGUA
Penso que a diferença é muito sutil. E, mesmo depois da leitura, não mudei a minha forma de pensar, pois entendi que estou no caminho certo. A profe. Luciane nos mostrou o filme VIDA MARIA e falamos sobre o que poderíamos trabalhar a partir deste filme: os simbolismos(janela, caderno), o trabalho, o tempo, o sertão, a repetição da história através das gerações, a mágoa, a água, as questões sócio-cultural, a trilha sonora, trabalho infantil, etc. Sabe-se que a língua apresenta variações, conforme os grupos que a usem. Há os dialetos, que são as regularidades, os recursos normais que cada uma das variantes da língua usada por determinado grupo apresentam. Os principais DIALETOS são etário(da criança, do jovem e do adulto) regional ou geográfico sociocultural ( culto e popular) gênero(masculino e feminino) profissional Nenhum dialeto é melhor do que outro. Cada um cumpre suas funções comunicativas. Cada uso individual e momentâneo da língua constitui o que chamamos de REGISTRO. É a variante escolhida por cada sujeito em cada ato específico de comunicação, segundo o contexto. Os registros são basicamente dois: informal formal Os registros podem apresentar-se tanto na forma oral como na forma escrita da língua. NA LÍNGUA FALADA: ORATÓRIO( elaborado, intrincado, enfeitado.Apropriado para situações muito formais. Usado por advogados, oradores religiosos,políticos. Na nossa literatura, um exemplo: Os sermões de Padre Antônio Vieira) FORMAL(DEBILIBERATIVO)(vocabulário mais rico;usada quando se fala a grupos grandes ou médios. Conferências científicas são exemplos desse nível de formalidade) COLOQUIAL( aparece no diálogo entre duas pessoas, apresenta construções gramaticais soltas, frases curtas e simples; palavras de uso mais frequente) COLOQUIAL DISTENSO( indica relacionamento próprio de um grupo fechado; uso frequente de gíria; não apresenta cuidado com a pronúncia. Exemplo: conversa entre amigos, colegas de trabalho) FAMILIAR(particular, pessoal, usado na vida privada. Há muitos elementos da linguagem afetiva com função emotiva) NA LÍNGUA ESCRITA: HIPERFORMAL(o equivalente escrito do oratório. O soneto, seria um exemplo. Alguns autores como Machado de Assis e José de Alencar apresentam este nível de formalismo) FORMAL( características semelhantes ao deliberativo.; linguagem na variedade culta e padrão, no estilo escrito. Jornais, revistas bem elaboradas e correspondências oficiais se enquadram nesse nível) SEMIFORMAL( corresponde na escrita ao coloquial, com um pouco mais de formalidade. Cartas comerciais e de recomendação, declarações, relatórios e projetos são exemplos) INFORMAL(correspondência entre membros de uma família ou amigos íntimos; uso de formas abreviadas, ortografia simplificada, construções simples, sentenças fragmentadas) PESSOAL(são asnotas para o nosso uso próprio: o recado anotado ao telefone, um bilhete para alguém de casa, lista de compras, etc) O registro coloquial é o centro do sistema linguístico e seu uso nas atividades de ensino/aprendizagem da língua materna é de grande importância. A seguir, assistimos ao filme “LÍNGUA – VIDAS EM PORTUGUES” de Victor Lopes, com relatos sobre a língua com pessoas de GOA, MOÇAMBIQUE, PORTUGAL E BRASIL e observamos a tipologia dos registros em seus discursos. Como tarefa recebemos um questionário sobre a Unidade 1- Variantes Linguísticas: dialetos e registros - que responderemos e traremos para a próxima aula para discutirmos.
O PONTO DE VISTA
A ARGUMENTAÇÃO E A INTERTEXTUALIDADE
- alusão(aproveitamento de um dado de um determinado texto, sem maiores explicitações. A alusão não indica a fonte, é um dado mais vago, portanto, o conhecimento do interlocutor é fundamental para percebê-la) .
- referência(lembrança de uma passagem ou de um personagem de um texto)
- epígrafe(texto curto transcrito no início de outro texto, para indicar que o pensamento desenvolvido neste último tem a ver com o outro, justifica-se a a partir do outro.
- citação( apresenta um trecho, um dado da obra. O segundo texto procura deixar claro o texto original. Usada sempre que queremos comprovar ou reprovar determinada ideia)
- pastiche( aproveita ou os recursos, o clima ou determinados recursos de outra obra.. são exemplos de pastiche o humor-pastelão de “Os Trapalhões”, “Os Três Patetas” e “O Gordo e o Magro, que são comédias de ação e riso fácil)
- paródia(neste processo, o texto original perde sua ideia básica, seu fio condutor. A narrativa é invertida ou subvertida. Frequentemente, a paródia é crítica e questionadora)
- paráfrase(retomada de um texto sem mudar o seu fio condutor, a sua lógica. A ideia original é conservada) Após conversarmos sobre os processos intertextuais, assistimos a alguns vídeos breves (A corrida dos espermatozóides e Vida Maria) em que analisamos as possibilidades de intertextualidade e os argumentos neles observados. Estudamos um pouco sobre a intertextualidade: diálogo entre textos(pág.98-99- AAA1 – Versão do Aluno) através dos textos “Terezinha de Jesus”- Veríssimo de Melo ( a cantiga de roda, lembra?) e da letra de música, composta por Chico Buarque, cujo título e “Terezinha”. Também assistimos ao episódio dos trapalhões que é uma paródia desta música de Chico Buarque. E por falar em paródia, na página 104 do AAA1(aluno), Guilherme Mansur, poeta entre outras habilidades, você encontra o texto “Branca de Neve”. É um exemplo divertido de paródia. No final de nosso encontro, a profe Luciane, apresentou outros textos como “A Verdade” e, no Power Point, um texto sobre a Argumentação.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
OFICINA!!! ROTEIRO DE LEITURA
Roteiro de Leitura: uma proposta para sistematizar trabalho com a leitura literária na escola
Elaine Maritza.-
Oficina realizada em 08.10.2009, na Esc
ola Gusmão
Algumas ideias importantes:
Para formar leitores é necessário:
- Criar ambiente leitor: mostrar que os livros são importantes.
- Elaborar projeto de leitura.
- Incluir-se nos projetos realizando as leituras e as atividades junto com os alunos.
- Propor atividade lúdicas sempre, não importa a série ou a idade dos alunos;
- O professor deve usar a biblioteca como leitor. O aluno deve perceber que o professor é leitor, além de ser professor. Ele é exemplo.
- É importante ligar a leitura literária ao prazer.
- Promover a troca de experiência de leitura, estimular a criação literária/ artística a partir das leituras, promover a participação da comunidade na leitura. O ROTEIRO DE LEITURA AUXILIANDO NA FORMAÇÃO DE LEITORES O roteiro é uma forma de organizar o trabalho com o livro e de demonstrar aos alunos que todas as atividades propostas foram planejadas, pensadas e organizadas. É importante que o professor tenha alguma forma de registrar o seu trabalho. Registro é muito importante. O roteiro é uma forma de registro. O roteiro valoriza a indicação do livro. UMA PROPOSTA DE ROTEIRO MOTIVAÇÃO: Momento de despertar o desejo de ler. Propor atividade que motive o aluno para a leitura e conduzam para o livro. Ele precisa “querer” ler o livro. LEITURA; pode ser compartilhada, individual... mas é fundamental que o professor se inclua, mesmo depois de ter lido o livro. EXPLORAÇÃO DO TEXTO: O professor pensa nas possibilidades que o texto tem, deve propor atividades que enriqueçam e aprofundem a leitura dos alunos. EXTRAPOLAÇÃO: Após a leitura e a realização das atividades de exploração do texto, o professor propõe atividade(s) em que o leitor torna-se autor. É o momento da produção do aluno. Ele escreve. APROVEITEM A DICA!!!! Ela é simples e dá certo.
Texto Argumentativo
RELATANDO UMA EXPERIÊNCIA
REVISÃO... REESCRITA TEXTUAL
ESTOU DE VOLTA!!!!
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
SOBRE COESÃO TEXTUAL - encontro 24.09.2009
Neste dia trabalhamos sobre COESÃO TEXTUAL. Para que um texto seja um bom texto precisa apresentar coerência e coesão. Apesar de serem fatores de textualidade bem diferentes, coerência e coesão se imbricam. Exemplificando, a grosso modo, coerência seria uma parede de tijolos e a coesão, o cimento que interliga os tijolos e dá a consistência para a parede. Lemos as ideias sobre coesão textual no TP5, pág.166,167- AMPLIANDO NOSSAS REFERÊNCIAS – e trabalhamos as questões referentes ao texto. Para observar as cadeias coesivas que tecem um texto trabalhamos com um trecho adaptado de artigo publicado pela revista ISTO É, de 10 de setembro de 2003, sobre uma das mais intrigantes formas de vida do nosso planeta: o bicho-da-seda.(P. 143 TP5). Também trabalhamos com as questões referentes ao texto para analisarmos os mecanismos de coesão nele empregados. Os elementos coesivos de um texto podem se apresentar
- por elipse;
- pode retomar termos utilizados;
- repetição de termos;
Elementos morfológicos que fazem coesão:
- preposição;
- advérbio;
- conjunção;
- locução;
- pronome.
Seguindo a profe. Luciane apresentou-nos um vídeo com o sucesso dos Tribalistas( Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Margareth Menezes e Carlinhos Brown), a canção Passe em casa, cuja letra está disponível no TP5, nas págs. 156 e 157. Nesta canção podemos notar o uso da reiteração(repetição) de forma criativa. Muito legal! A profe. também apresentou alguns slides bem interessantes, com textos humorísticos, porém com cunho pedagógico, em que podemos relacionar a coerência, o estilo e a coesão. Iniciamos, porém, não avançamos muito a apreciação do texto O tratamento do “erro” nas produções textuais: a revisão e a reescritura como parte do processo de avaliação formativa – de Ana Dilma de Almeida Pereira. Deveremos adiantar a leitura para o próximo encontro. Como tema de casa: Analisar as atividades propostas na unidade 19: COESÃO TEXTUAL e escolher uma para aplicar com nossos alunos. E foi isso. Bem proveitoso!
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
PALESTRA DE ELAINE MARITZA
Encontro 17.09.2009 - Coerência Textual e Estilo
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
"NARRADORES DE JAVÉ": contribuindo para o meu saber
Narradores de Javé impressionou-me positivamente. É um filme que eu recomendo a todos. É divertido, interessante e seus atores representam muito bem. É imperdível.
O drama trata de um povoado fictício, Javé, que estava prestes a desaparecer devido a construção de uma hidrelétrica, que representava a chegada do progresso, da modernidade, àquela região. Para mudar esta triste realidade, o povo de Javé decidiu escrever a sua história, para que sua terra fosse reconhecida como patrimônio histórico e preservada do desaparecimento. Naquele lugar esavam suas lembranças, suas esperanças e seus antepassados. Estes, enterrados sob aquele chão. Como poderiam ficar enterrados e submersos nas águas? E o povo para onde iria? O que fariam? O povo confrontou-se com a dura realidade. Deveria lutar pelo seu espaço, pela história de suas vidas. E para isso não bastava a história contada oralmente, precisavam de uma história registrada no papel.
A única pessoa alfabetizada de Javé era Antônio Biá. Ele foi incumbido de recuperar e registrar a história daquele povoado no papel, cientificamente. E deveria realizar tais registros a partir das memórias dos seu moradores, os narradores da história. O Vale de Javé precisava, através da oralidade, das “lembranças javélicas” , reconstruir sua história que poderia garantir o futuro, tão incerto. Evidencia-se aqui a importância da cultura letrada sobre a oralidade do povo. O registro escrito toma tal importância que a história do povoado somente seria reconhecida se estivesse legitimado pela escrita. Caso isso não acontecesse o aniquilamento seria certo.
Antônio Biá passa, então, a escutar os moradores, o que eles sabiam e o que lhes havia sido passado de geração em geração. A cada narração que ouvia, Biá descobria uma nova história e, a ela, cada pessoa atribuía sentido diferente, conforme a sua visão, aquilo em que acreditava, o que havia ouvido. O modo de ser e de pensar dos moradores, sua vivência, sua cultura ficava evidenciado. Isso gerou muita confusão entre eles e Biá já não sabia o que registrar, pois para cada morador a sua história era a verídica.
É possível notar que a comunidade de Javé não era alfabetizada, mas letrada e produtora de uma linguagem própria, que faz a graça na oralidade. Exemplo disso é a própria casa de Biá, cujas paredes são escritas com ditos e frases como “aqui mora um intelectual alcoólatra”.Na porta da sua casa havia outra frase:”Proibido entrada de analfabeto” Lembremos também do outdoor da hidrelétrica, que põe o povo em polvorosa e da placa do barbeiro sob a árvore. Mas infelizmente, esse letramento não foi reconhecido, as palavras ditas passaram como o vento, a história não foi registrada e Javé sucumbiu. É o poder da palavra escrita! Mas para ser escrita a mesma palavra passou pela oralidade. Não poderia o contar, o argumento, daquele povo ser reconhecido como legítimo, uma vez que representa a história e a verdade de cada um?Encontro dia 03.09.2009
Conhecendo a proposta do "LeiturAção"
No dia 02 de setembro, no auditório da escola Gusmão participamos da reunião que nos colocou a par da proposta do projeto LeiturAção.
A reunião iniciou-se com a música "Asa de Papel"( Marcelo Xavier/Marcelo Cottrin – Coral Infantil Escola Projeto – Porto Alegre.
A seguir a professora Lucrecia Fuhrmann – Coordenadora SMED – apresentou-nos uma contextualização das ações em prol da leitura feitas em nosso município desde 2005. Também apresentou o projeto em si. É uma proposta bem interessante, pois visa trabalhar coma a leitura literária na escola, proporcionando o contato dos alunos com obras de escritores(gaúchos) contemporâneos, bem como com a figura do escritor, quando de sua visita à escola, por intermédio do trabalho orientado pelo professor, como mediador de leitura.(Objetivo Geral do Projeto). Também torna-se atraente pois busca a formação de leitores, de mediadores de leitura e a melhoria do acervo das bibliotecas escolares.
As escola obedeceram alguns critérios para serem selecionadas, que foram:
Iniciativas com relação à leitura;
Propostas de trabalho na biblioteca: leitura, contação de histórias;
Professores participantes do GESTAR II, do Pró-letramento e do Ler é Saber;
Após, fomos informados sobre as escolas selecionadas, e a Escola Clodomir Vianna Moog foi selecionada, entre outras. Soubemos também o nome dos autores com os quais trabalharemos: LUIZ DILL e CAIO RITER.
Nossa escola trabalhará com CAIO RITER. Recebemos, então o acervo: Debaixo do mau tempo(15 exemplares), Eduarda na barriga do dragão(3 exemplares). Receberemos, ainda, as obras O rapaz que não era de Liverpool(4 exemplares), Um reino todo quadrado(2 exemplares) e, infelizmente, não recebemos nenhum exemplar do livro Fusquinha cor-de-rosa.
Nos dias 18.09.09 e 08.10.09 acontecerá a Formação de Mediadores de leitura. Na primeira data o tema será O professor como multiplicador de leitores. Na segunda, Roteiro de leitura: uma proposta para a sistematização do trabalho com a leitura na sala de aula. Vale destacar que estes dois momentos serão ministrados pela especialista em literatura brasileira e infanto-juvenil ELAINE MARITZA DA SILVEIRA. Tem tudo para ser proveitoso!
Entre outras estas foram as informações mais importantes deste encontro.sábado, 29 de agosto de 2009
Encontro dia 27.08.2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
PARA SABER MAIS...
"LETRAR É MAIS QUE ALFABETIZAR" Entrevista com Magda Becker Soares.
Nos dias de hoje, em que as sociedades do mundo inteiro estão cada vez mais centradas na escrita, ser alfabetizado, isto é, saber ler eescrever, tem se revelado condição insuficiente para responder adequadamente às demandas contemporâneas. É preciso ir além da simples aquisição do código escrito, é preciso fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, apropriar-se da função social dessas duas práticas; é preciso letrar-se. O conceito de letramento, embora ainda não registrado nos dicionários brasileiros, tem seu aflorar devido à insuficiência reconhecida do conceito de alfabetização. E, ainda que não mencionado, já está presente na escola, traduzido em ações pedagógicas de reorganização do ensino e reformulação dos modos de ensinar, como constata a professora Magda Becker Soares, que, há anos, vem se debruçando sobre esse conceito e sua prática.
"A cada momento, multiplicam-se as demandas por práticas de leitura e de escrita, não só na chamada cultura do papel, mas também na nova cultura da tela, com os meios eletrônicos", diz Magda, professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Se uma criança sabe ler, mas não é capaz de ler um livro, uma revista, um jornal, se sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é alfabetizada, mas não é letrada", explica. Para ela, em sociedades grafocêntricas como a nossa, tanto crianças de camadas favorecidas quanto crianças das camadas populares convivem com a escrita e com práticas de leitura e escrita cotidianamente, ou seja, vivem em ambientes de letramento.
"A diferença é que crianças das camadas favorecidas têm um convívio inegavelmente mais freqüente e mais intenso com material escrito e com práticas de leitura e de escrita", diz. "É prioritário propiciar igualmente a todos o acesso ao letramento, um processo de toda a vida".
(ELIANE BARDANACHVILI)
- O que levou os pesquisadores ao conceito de "letramento", em lugar do de alfabetização? - A palavra letramento e, portanto, o conceito que ela nomeia entraram recentemente no nosso vocabulário. Basta dizer que, embora apareça com freqüência na bibliografia acadêmica, a palavra não está ainda nos dicionários. Há, mesmo, vários livros que trazem essa palavra no título. Mas ela não foi ainda incluída, por exemplo, no recente Michaelis, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa , de 1998, nem na nova edição do Aurélio, o Aurélio Século XXI , publicado em 1999. É preciso reconhecer também que a palavra não foi incorporada pela mídia ou mesmo pelas escolas e professores. É ainda uma palavra quase só dos "pesquisadores", como bem diz a pergunta. O mesmo não acontece com o conceito que a palavra nomeia, porque ele surge como conseqüência do reconhecimento de que o conceito de alfabetização tornou-se insatisfatório.
- Por quê?
- A preocupação com um analfabetismo funcional [terminologia que a Unesco recomendara nos anos 70, e que o Brasil passou usar somente a partir de 1990, segundo a qual a pessoa apenas sabe ler e escrever, sem saber fazer uso da leitura e da escrita], ou com o iletrismo, que seria o contrário de letramento, é um fenômeno contemporâneo, presente até no Primeiro Mundo.
- E como isso ocorre?
- É que as sociedades, no mundo inteiro, tornaram-se cada vez mais centradas na escrita. A cada momento, multiplicam-se as demandas por práticas de leitura e de escrita, não só na chamada cultura do papel, mas também na nova cultura da tela, com os meios eletrônicos, que, ao contrário do que se costuma pensar, utilizam-se fundamentalmente da escrita, são novos suportes da escrita. Assim, nas sociedades letradas, ser alfabetizado é insuficiente para vivenciar plenamente a cultura escrita e responder às demandas de hoje.
- Qual tem sido a reação a esse fenômeno lá fora?
- Nos Estados Unidos e na Inglaterra, há grande preocupação com o que consideram um baixo nível de literacy da população, e, periodicamente, realizam-se testes nacionais para avaliar as habilidades de leitura e de escrita da população adulta e orientar políticas de superação do problema. Outro exemplo é a França. Os franceses diferenciam illettrisme muito claramente illettrisme de analphabétisme . Este último é considerado problema já vencido, com exceção para imigrantes analfabetos em língua francesa. Já illettrisme surge como problema recente da população francesa. Basta dizer que a palavra illettrisme só entrou no dicionário, na França, nos anos 80. Em Portugal é recente a preocupação com a questão do letramento, que lá ganhou a denominação de literacia, numa tradução mais ao pé da letra do inglês literacy .
- O que explica o aparecimento do conceito de letramento entre nós?
- Não se trata propriamente do aparecimento de um novo conceito, mas do reconhecimento de um fenômeno que, por não ter, até então, significado social, permanecia submerso. Desde os tempos do Brasil Colônia, e até muito recentemente, o problema que enfrentávamos em relação à cultura escrita era o analfabetismo, o grande número de pessoas que não sabiam ler e escrever. Assim, a palavra de ordem era alfabetizar. Esse problema foi, nas últimas décadas, relativamente superado, vencido de forma pelo menos razoável. Mas a preocupação com o letramento passou a ter grande presença na escola, ainda que sem o reconhecimento e o uso da palavra, traduzido em ações pedagógicas de reorganização do ensino e reformulação dos modos de ensinar.
- Como o conceito de letramento, mesmo sem que se utilize este termo, vem sendo levado à prática? -
_ No início dos anos 90, começaram a surgir os ciclos básicos de alfabetização, em vários estados; mais recentemente, a própria lei [Lei de Diretrizes e Bases, de 1996] criou os ciclos na organização do ensino. Isso significa que, pelo menos no que se refere ao ciclo inicial, o sistema de ensino e as escolas passam a reconhecer que alfabetização, entendida apenas como a aprendizagem da mecânica do ler e do escrever e que se pretendia que fosse feito em um ano de escolaridade, nas chamadas classes de alfabetização, é insuficiente. Além de aprender a ler e a escrever, a criança deve ser levada ao domínio das práticas sociais de leitura e de escrita. Também os procedimentos didáticos de alfabetização acompanham essa nova concepção: os antigos métodos e as antigas cartilhas, baseados no ensino de uma mecânica transposição da forma sonora da fala à forma gráfica da escrita, são substituídos por procedimentos que levam as crianças a conviver, experimentar e dominar as práticas de leitura e de escrita que circulam na nossa sociedade tão centrada na escrita.
- Como se poderia, então, definir letramento?
- Letramento é, de certa forma, o contrário de analfabetismo. Aliás, houve um momento em que as palavras letramento e alfabetismo se alternavam, para nomear o mesmo conceito. Ainda hoje há quem prefira a palavra alfabetismo à palavra letramento - eu mesma acho alfabetismo uma palavra mais vernácula que letramento, que é uma tentativa de tradução da palavra inglesa literacy , mas curvo-me ao poder das tendências lingüísticas, que estão dando preferência a letramento. Analfabetismo é definido como o estado de quem não sabe ler e escrever; seu contrário, alfabetismo ou letramento, é o estado de quem sabe ler e escrever. Ou seja: letramento é o estado em que vive o indivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive: sabe ler e lê jornais, revistas, livros; sabe ler e interpretar tabelas, quadros, formulários, sua carteira de trabalho, suas contas de água, luz, telefone; sabe escrever e escreve cartas, bilhetes, telegramas sem dificuldade, sabe preencher um formulário, sabe redigir um ofício, um requerimento. São exemplos das práticas mais comuns e cotidianas de leitura e escrita; muitas outras poderiam ser citadas.
- Ler e escrever puramente tem algum valor, afinal?
- Alfabetização e letramento se somam. Ou melhor, a alfabetização é um componente do letramento. Considero que é um risco o que se vinha fazendo, ou se vem fazendo, repetindo-se que alfabetização não é apenas ensinar a ler e a escrever, desmerecendo assim, de certa forma, a importância de ensinar a ler e a escrever. É verdade que esta é uma maneira de reconhecer que não basta saber ler e escrever, mas, ao mesmo tempo, pode levar também a perder-se a especificidade do processo de aprender a ler e a escrever, entendido como aquisição do sistema de codificação de fonemas e decodificação de grafemas, apropriação do sistema alfabético e ortográfico da língua, aquisição que é necessária, mais que isso, é imprescindível para a entrada no mundo da escrita. Um processo complexo, difícil de ensinar e difícil de aprender, por isso é importante que seja considerado em sua especificidade. Mas isso não quer dizer que os dois processos, alfabetização e letramento, sejam processos distintos; na verdade, não se distinguem, deve-se alfabetizar letrando .
- De que forma?
- Se alfabetizar significa orientar a criança para o domínio da tecnologia da escrita, letrar significa levá-la ao exercício das práticas sociais de leitura e de escrita. Uma criança alfabetizada é uma criança que sabe ler e escrever; uma criança letrada (tomando este adjetivo no campo semântico de letramento e de letrar, e não com o sentido que tem tradicionalmente na língua, este dicionarizado) é uma criança que tem o hábito, as habilidades e até mesmo o prazer de leitura e de escrita de diferentes gêneros de textos, em diferentes suportes ou portadores, em diferentes contextos e circunstâncias. Se a criança não sabe ler, mas pede que leiam histórias para ela, ou finge estar lendo um livro, se não sabe escrever, mas faz rabiscos dizendo que aquilo é uma carta que escreveu para alguém, é letrada, embora analfabeta, porque conhece e tenta exercer, no limite de suas possibilidades, práticas de leitura e de escrita. Alfabetizar letrando significa orientar a criança para que aprenda a ler e a escrever levando-a a conviver com práticas reais de leitura e de escrita: substituindo as tradicionais e artificiais cartilhas por livros, por revistas, por jornais, enfim, pelo material de leitura que circula na escola e na sociedade, e criando situações que tornem necessárias e significativas práticas de produção de textos.
- O processo de letramento ocorre, então, mesmo entre crianças bem pequenas...
- Pode-se dizer que o processo começa bem antes de seu processo de alfabetização: a criança começa a "letrar-se" a partir do momento em que nasce numa sociedade letrada. Rodeada de material escrito e de pessoas que usam a leitura e a escrita - e isto tanto vale para a criança das camadas favorecidas como para a das camadas populares, pois a escrita está presente no contexto de ambas -, as crianças, desde cedo, vão conhecendo e reconhecendo práticas de leitura e de escrita. Nesse processo, vão também conhecendo e reconhecendo o sistema de escrita, diferenciando-o de outros sistemas gráficos (de sistemas icônicos, por exemplo), descobrindo o sistema alfabético, o sistema ortográfico. Quando chega à escola, cabe à educação formal orientar metodicamente esses processos, e, nesse sentido, a Educação Infantil é apenas o momento inicial dessa orientação.
- O processo de letramento ocorre durante toda a vida escolar?
- A alfabetização, no sentido que atribuí a essa palavra, é que se concentra nos primeiros anos de escolaridade. Concentra-se aí, mas não ocorre só aí: por toda a vida escolar os alunos estão avançando em seu domínio do sistema ortográfico. Aliás, um adulto escolarizado, quando vai ao dicionário, resolver dúvida sobre a escrita de uma palavra está retomando seu processo de alfabetização. Mas esses procedimentos de alfabetização tardia são esporádicos e eventuais, ao contrário do letramento, que é um processo que se estende por todos os anos de escolaridade e, mais que isso, por toda a vida. Eu diria mesmo que o processo de escolarização é, fundamentalmente, um processo de letramento.
- Em qualquer disciplina?
- Em todas as áreas de conhecimento, em todas as disciplinas, os alunos aprendem através de práticas de leitura e de escrita: em História, em Geografia, em Ciências, mesmo na Matemática, enfim, em todas as disciplinas, os alunos aprendem lendo e escrevendo. É um engano pensar que o processo de letramento é um problema apenas do professor de Português: letrar é função e obrigação de todos os professores. Mesmo porque em cada área de conhecimento a escrita tem peculiaridades, que os professores que nela atuam é que conhecem e dominam. A quantidade de informações, conceitos, princípios, em cada área de conhecimento, no mundo atual, e a velocidade com que essas informações, conceitos, princípios são ampliados, reformulados, substituídos, faz com que o estudo e a aprendizagem devam ser, fundamentalmente, a identificação de ferramentas de busca de informação e de habilidades de usá-las, através de leitura, interpretação, relacionamento de conhecimentos. E isso é letramento, atribuição, portanto, de todos os professores, de toda a escola.
- Mas seria maior a responsabilidade do professor de Português?
- É claro que o professor de Português tem uma responsabilidade bem mais específica com relação ao letramento: enquanto este é um "instrumento" de aprendizagem para os professores das outras áreas, para o professor de Português ele é o próprio objeto de aprendizagem, o conteúdo mesmo de seu ensino.
- Muitos pais reclamam do fato de, hoje, os grandes textos de literatura, nos livros didáticos, darem lugar a letras de música, rótulos de produtos, bulas de remédio. O que essa ênfase nos textos do dia-a-dia tem de positivo e o que teria de negativo?
-É verdade que o conceito de letramento, bem como a nova concepção de alfabetização que decorre dele e também das teorias do construtivismo que chegaram ao campo da educação e do ensino nos anos 80, trouxeram um certo exagero na utilização de diferentes gêneros e diferentes portadores de texto na sala de aula. É realmente lamentável que os textos literários, até pouco tempo atrás exclusivos nas aulas de Português, tenham perdido espaço. É preciso não esquecer que, exatamente porque a literatura tem, lamentavelmente, no contexto brasileiro, pouca presença na vida cotidiana dos alunos, cabe à escola dar a eles a oportunidade de conhecê-la e dela usufruir. Por outro lado, tem talvez faltado critério na seleção dos gêneros. Por exemplo: parece-me equivocado o trabalho com letras de música, que perdem grande parte de seu significado e valor se desvinculadas da melodia: é difícil apreciar plenamente uma canção de Chico Buarque ou de Caetano Veloso lendo a letra da canção como se fosse um poema, desligada ela da música que é quem lhe dá o verdadeiro sentido e a plena expressividade. Parece óbvio que devem ser priorizados, para as atividades de leitura, os gêneros que mais freqüentemente ou mais necessariamente são lidos, nas práticas sociais, e, para as atividades de produção de texto, os gêneros mais freqüentes ou mais necessários nas práticas sociais de escrita. Estes não coincidem inteiramente com aqueles, já que há gêneros que as pessoas lêem, mas nunca ou raramente escrevem, e há gêneros que as pessoas não só lêem, mas também escrevem. Por exemplo: rótulos de produtos são textos que devemos aprender a ler, mas certamente não precisaremos aprender a escrever. Assim, a adoção de critérios bem fundamentados para selecionar quais gêneros devem ser trabalhados em sala de aula, para a leitura e para a produção de textos, afastará os aspectos negativos que uma invasão excessiva e indiscriminada de gêneros e portadores sem dúvida tem.
- A condução do processo de letramento difere, no caso de se lidar com uma criança de classe mais favorecida ou com uma de classe popular?
- Em sociedades grafocêntricas como a nossa, tanto crianças de camadas favorecidas quanto crianças das camadas populares convivem com a escrita e com práticas de leitura e escrita cotidianamente, ou seja, umas e outras vivem em ambientes de letramento. A diferença é que crianças das camadas favorecidas têm um convívio inegavelmente mais freqüente e mais intenso com material escrito e com práticas de leitura e de escrita do que as crianças das camadas populares, e, o que é mais importante, essas crianças, porque inseridas na cultura dominante, convivem com o material escrito e as práticas que a escola valoriza, usa e quer ver utilizados. Dois aspectos precisam, então, ser considerados: de um lado, a escola deve aprender a valorizar também o material escrito e as práticas de leitura e de escrita com que as crianças das camadas populares convivem; de outro lado, a escola deve dar oportunidade a essas crianças de ter acesso ao material escrito e às práticas da cultura dominante. Da mesma forma, a escola que serve às camadas dominantes deve dar oportunidade às crianças dessas camadas de conhecer e usufruir da cultura popular, tendo acesso ao material escrito e às práticas dessa cultura.
- Como deve ser a preparação do professor para que ele "letre"? Em que esse preparo difere daquele que o professor recebe hoje?
- Entendendo a função do professor, de qualquer nível de escolaridade, da Educação Infantil à educação pós-graduada, como uma função de letramento dos alunos em sua área específica, o professor precisa, em primeiro lugar, ser ele mesmo letrado na sua área de conhecimento: precisa dominar a produção escrita de sua área, as ferramentas de busca de informação em sua área, e ser um bom leitor e um bom produtor de textos na sua área. Isso se refere mais particularmente à formação que o professor deve ter no conteúdo da área de conhecimento que elegeu. Mas é preciso, para completar uma formação que o torne capaz de letrar seus alunos, que conheça o processo de letramento, que reconheça as características e peculiaridades dos gêneros de escrita próprios de sua área de conhecimento. Penso que os cursos de formação de professores, em qualquer área de conhecimento, deveriam centrar seus esforços na formação de bons leitores e bons produtores de texto naquela área, e na formação de indivíduos capazes de formar bons leitores e bons produtores de textos naquela área.
(Jornal do Brasil - 26/11/2000)
DIPONÍVEL SITE NOSSA LÍNGUA_NOSSA PÁTRIA
Voltando das férias: encontro dia 13.08.09
- Nossos blogs/pastas
- Data do nosso próximo encontro: 27/08
- Projeto de Leitura de São Leopoldo: LEITURAÇÃO(infelizmente nem todas as escolas poderão participar, somente 10. Espero que a minha seja contemplada)
- ARTES E OFÍCIOS e o Projeto Leituração(autores,oficinas, quantidade de livros, catálogo com sugestões de títulos)
- Plantões do Gestar(Professora Luciane), datas e horários
- Tutor(a) para o Pólo: carga horária, remuneração, etc.
- Recuperação do dia 06/08: ainda a resolver
- La Machinerie de L'art - França/Brasil: comentários
- Prêmio Sesc de Literatura/2009: informações
- Sugestões de livros para a nossa prática
Após recados, comentários e informações iniciamos o trabalho do dia: Unidade 11 - TP3 - TIPOS TEXTUAIS - Conceituar sequências tipológicas
Tipologia textual é uma outra classificação que tem estreitas relações com a de gêneros. Os tipos mais frequentes na nossa prática escolar são o descritivo, o narrativo. Também trabalhamos comumente com os tipos expositivo e argumentativo. Entretando, pouco trabalhamos com os tipos injuntivo(ou instrucional) e preditivo.(TP3 - p.97)
Nos dividimos em grupos. Cada grupo ficou responsável por conceituar um tipo textual, montando um cartaz para apresentar. Meu grupo trabalhou com o tipo PREDITIVO. Este tipo textual
Após, todos apresentamos os cartazes e discutimos as idéias. Quanto ao texto preditivo notamos, por exemplo, que no horóscopo há predominância de verbos no tempo presente, mas é um presente que prevê o que está por acontecer.
Seguindo a profe. Luciane nos entregou a crônica Pergunta Infalível - de Nilson Souza, publicada no Zero Hora, 25/07/09. Lemos o texto e identificamos quantas tipologias podem haver num mesmo gênero textual. Nesta crônica, foi possível identificar os tipos descritivo, injuntivo, dissertativo expositivo, argumentativo, expositivo e preditivo.
E foi isso... até o próximo encontro em 27/08/09.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Rascunhando nosso Projeto de Leitura
Durante as férias prolongadas, minha colega Eudair e eu, esqueletamos nosso projeto de leitura. Decidimos que se intitularia
domingo, 16 de agosto de 2009
SOBRE POEMAS E POETAS - Anna Helena Altenfelder




